"Releasing 10" | Review
(Podem ler as reviews de Binding 13 e Keeping 13 aqui, Saving 6 e Redeeming 6 aqui, Taming 7 aqui)
Boys of Tommen entrou na minha vida em 2025 e veio para ficar. Acho que se tornou numa daquelas séries que eu vou para sempre amar, pelo impacto emocional que tem em mim. Cada um destes livros me faz sentir como se tivesse sido atropelada por um camião, tal a intensidade e a dureza das suas histórias. Para mim, o que torna estes livros tão incríveis vai muito além, pura e simplesmente, do romance. São as histórias duras e difíceis das personagens, que nos colocam num lugar de desconforto e nos fazem reconhecer quão privilegiados somos por termos a vida que temos e nascermos na família onde nascemos, sobretudo por sabermos que há pessoas a viver aquelas situações na vida real.
Releasing 10 é o sexto livro da série da autora Chloe Walsh e nele voltamos ao passado para saber como tudo começou para a Lizzie e para o Hugh. Lizzie Young sempre sentiu que era exagerada em tudo. Tendo sido diagnosticada muito nova com perturbação bipolar, nunca sentiu que se encaixou na família onde nasceu, no seu grupo de amigos, na comunidade... Por isso, Lizzie apenas quer ser aceite e compreendida, mas acaba por carregar os seus fardos e traumas sozinha. No entanto, as coisas parecem melhorar quando conhece um gentil rapaz no autocarro da escola. Hugh Biggs é o irmão de Claire, uma das melhores amigas de Lizzie, e rapidamente se torna também o seu melhor amigo. À medida que a amizade dos dois se torna mais profunda e intensa, Hugh decide que quer ser tudo para Lizzie, dividino com ela o terrível fardo que carrega. A ligação entre os dois parece inquebrável - a química é eletrizante, o amor forte e a conexão profunda; contudo, mesmo o amor mais verdadeiro pode ser abalado por forças incontroláveis.
É com alguma pena que digo que, até agora, este foi o livro que menos gostei da série inteira. Achei-o excessivamente longo (e li-o no Kobo, porque as letras da versão física são minúsculas) e achei que tinha imensas cenas que poderiam ser retiradas porque se tornavam repetitivas e acabavam por não acrescentar nada de especial. Sendo um livro que se passa no passado, uma pessoa quer saber apenas o básico para poder compreender o presente e confesso que achei um bocadinho maçador o livro em alguns momentos por isso. Neste ponto da saga, pessoalmente, eu preferia que o livro fosse passado no presente (da série) e tivesse capítulos de flashbacks para o passado, porque acho que seria mais interessante. Uma outra coisa que não gostei muito neste livro foi o ter achado que algumas cenas foram um bocadinho irrealistas tendo em conta a idade das personagens - a forma como algumas dessas cenas acontecem, são descritas e a forma como eles falam não me parece fazer sentido tendo em conta que é suposto eles terem seis, sete, oito anos.
Ainda assim, não deixou de mexer imensamente comigo. Há cenas verdadeiramente horríveis pelas quais a Lizzie passou e toda a forma como a sua doença mental é descrita mexeu muito comigo, porque acho que está muito bem escrita. Deu para compreender a Lizzie um pouco melhor e sentir genuína compaixão e até pena por tudo o que ela passou, contudo não o suficiente para ser capaz de a perdoar por tudo o que fez ao Gibsie e ao Hugh. Acho que ela acaba por ser extremamente tóxica para as pessoas que a rodeiam - embora seja muito fruto de todo o ambiente em que cresceu e das circunstâncias que viveu - e acaba por ter muitas vezes atitudes bastante egoístas.
Outra personagem que me despertou emoções contraditórias foi a Caoihme - a irmã da Lizzie. Tenho muita pena dela e daquilo por que passou, contudo acho que ela podia ter tido um papel preponderante para mudar o rumo da história da Lizzie e do Gibsie. Deveria ter feito mais do que fez e ter tomado atitudes diferentes e isso faz-me sentir muita raiva dela. Por outro lado, o Mark é uma personagem que me causa repulsa do início ao fim, ainda mais do que já sentia depois de Taming 7. E todos estes sentimentos que as personagens me provocam só demonstram o talento da autora na forma como as constrói e as descreve!
Este livro serviu também para me deixar muito curiosa acerca de toda a história do Patrick Feely - que eu espero que possamos conhecer brevemente - e para me fazer gostar ainda mais do Gibsie, porque temos a prova de como ele sempre foi e é um excelente amigo, apesar de tudo. Fiquei também muito ansiosa para poder chegar ao tempo presente da Lizzie e do Hugh, para perceber algumas coisas que aconteceram nos outros livros, perceber o desenvolvimento de tudo entre eles e para descobrir algumas coisas que ficaram soltas deste livro (nomeadamente, quem raio é a scary lady?!).
Disclaimer final: se são sensíveis a cenas de violência, abuso sexual, assuntos relacionados com automutilação e saúde mental, não vos recomendo este livro, porque acho que tem bastantes triggers. De outra forma, e se já leram os restantes livros da série, acho que é um bom complemento aos restantes livros para poder perceber tudo um pouco melhor.
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