quarta-feira, 25 de março de 2020

"Um Segredo Amargo e Doce" | Review

março 25, 2020 2

2020 começou há pouco mais de três meses e eu confesso que, em termos de leituras, me sinto muito feliz com o ritmo que tenho vindo a levar. Em tempo de aulas, eu descuro sempre imenso a leitura porque me sinto cansada, drenada de inspiração e vontade para ler, mas este semestre (e este ano) prometi a mim mesma que iria tentar contrariar esta tendência.

Em três meses, este é o quarto livro que termino e não só me sinto feliz com este novo ritmo, como me sinto ainda mais feliz por ter adorado todos os quatro livros. Não partilhei todos aqui convosco, mas fiz uma pequena reflexão sobre o Viver Depois de Ti e hoje venho aqui fazer uma review deste livro porque achei que valia imenso a pena. 

Este foi um livro que recebi no Natal e acerca do qual nada conhecia - nem o título, nem a autora, nem de que se tratava. E até confesso mais: ao ler a contracapa, achei que seria mais um romance cliché. Não que eu não goste - porque "papo" tudo o que são filmes e livros cliché de boa vontade -, mas tenho tentado apostar noutro tipo de livros, mais "maduros" e, sobretudo, quero ler mais clássicos. Ora bem, dei por mim a meio do livro, a sentir-me completamente surpreendida pela sua história e não tive outro remédio se não devorá-lo rapidamente até à última página.


Um Segredo Amargo e Doce é um livro da escritora americana Barbara Delinsky. Este livro conta-nos a história de um verão passado na ilha de Quinniepeague e do reencontro das melhores amigas de infância, Charlotte e Nicole. Depois de tantos verões que passaram juntas naquela ilha, desde a infância à sua juventude, por terem seguido caminhos de vida diferentes, as amigas afastaram-se um pouco. Pelo menos, esse é o motivo que Nicole acredita estar na origem do afastamento de ambas, embora mantenham um contacto minimamente frequente. Sendo Nicole uma blogger de culinária e Charlotte uma jornalista de viagens bem-sucedida, Nicole propõe à amiga que se juntem para mais um verão em Quinniepeague, desta vez para escreverem juntas um livro sobre a cozinha da pacata ilha e sobre as personalidades especiais da mesma, convite que Charlotte logo aceita. A oportunidade de reatar a amizade é muito tentadora, apesar de os segredos serem demasiado pesados. De novo juntas, sentem que é possível viverem a mesma amizade, mas a doença do marido de Nicole cedo perturba este frágil equilíbrio e, a pouco e pouco, a verdade começa a vir ao de cima.

Este é um resumo rápido e simples desta história. Parece não ser nada de especial, não é? A verdade é que Nicole e Charlotte, de personalidades tão diferentes e com uma amizade tão especial, nos conquistam desde a primeira página. Prendem-nos ao livro. E à medida que a história vai avançando vamos entendendo melhor a profundidade de cada uma das personagens e a dimensão dos segredos que escondem. Vamos percebendo que nada acontece por acaso e que tudo, mesmo aquilo que no início nos pareciam pormenores com pouca importância, tem uma razão de ser. 

Este é um daqueles livros que nos faz sentir um enorme misto de sentimentos pelas personagens e eu penso que isso acontece porque estas personagens têm muito de real. Não são pessoas perfeitas, nenhuma delas. Todas têm defeitos que conseguimos apontar, cometem erros que conseguimos identificar e condenar, mas, ainda assim, são únicas e incríveis. É impossível odiar alguma personagem deste livro, na minha opinião. A escritora tem um talento incrível para nos pôr nos pés da personagem, para nos fazer pensar sobre os dilemas de cada uma delas e de nos fazer sentir a ansiedade que elas sentem de perceber como tudo se poderá resolver. Estamos até ao fim a tentar perceber como é que aquele verão termina.



Como não quero dar spoiler, fico-me por aqui e termino dizendo que este livro foi uma excelente surpresa, que o recomendo vivamente a quem gostar deste tipo de livros e que espero que 2020 continue a trazer-me mais leituras destas, inesperadas e surpreendentes!


sábado, 21 de março de 2020

Os meus casais fictícios favoritos | Séries

março 21, 2020 2



Bem... A par dos livros, não há nada melhor para passar o tempo e ganhar alguma cultura do que ver filmes e séries. Para mim, combina o melhor de dois mundos: posso relaxar e não pensar em mais nada, enquanto aprendo alguma coisa. Mesmo naqueles filmes e naquelas séries que parecem vazias de conteúdo importante, eu acho que há sempre alguma coisa que podemos aprender e sobre a qual podemos pensar - nem que seja tentar descobrir os mistérios e os plot twists que estão por chegar.

Além desta minha "paixão" por filmes e séries, eu sou uma romântica incurável - daquelas que gosta de um bom cliché, de um bom filme romântico que faça chorar as pedras da calçada ou de uma comédia romântica que nos faz desejar encontrar um homem daqueles. Enfim... O que é que se pode fazer? Romances (de todo o tipo) são o meu guilty pleasure

Por isso, hoje eu resolvi juntar ambos e partilhar convosco alguns daqueles que eu considero os melhores casais fictícios das minhas séries favoritas. É claro que eu conseguiria fazer aqui uma lista quase infinita, por ordem de preferência, mas vou restringi-la ao meu top 5 de casais favoritos. Vamos a isto?

1. Jo & Alex Karev, Anatomia de Grey
Bem, tendo em conta os últimos desenvolvimentos da série, este casal já não existe (sorry the spoiler), mas eles tinham de estar no topo desta lista para mim. São dos casais fictícios que, na minha opinião, mais fazem sentido. Eles completam-se realmente. Tendo histórias tão parecidas, em certo ponto, pelas infâncias e adolescências complicadas que tiveram, eles compreendem-se um ao outro melhor que ninguém. Além disso, o amor que eles nutrem um pelo outro tem sobrevivido às maiores provações e eles têm estado sempre do lado um do outro para tudo. (Pena que agora já não seja assim, mas isto é uma questão de opinião pessoal).


2. Kensi Blye & Martin Deeks, NCIS Los Angeles
Estes dois são um casal incrível pela forma como são tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidos. Conseguem contrabalançar-se perfeitamente e criar um misto de humor e amor perfeito. Adoro a forma como se preocupam um com o outro mais do que qualquer coisa e adoro a forma como o Deeks consegue sempre fazer a Kensi rir, porque sabe sempre o que dizer, mesmo que sejam as maiores patetices, ao mesmo tempo que também sabe sempre quando precisa de dizer palavras bonitas e de conforto. Sinceramente, são um dos casais que eu mais gosto por serem diferentes e não serem o cliché óbvio (embora, como já disse, eu seja muito a favor de clichés)


3. Meredith Grey & Derek Shepherd, Anatomia de Grey
Trata-se da personagem principal da minha série favorita, por isso obviamente que teria de estar aqui... E porque o Derek foi o amor da vida da Meredith, não há como o negarmos. Apesar de a personagem ter morrido e de a Meredith estar a seguir em frente, todos sabemos que nunca ninguém voltará a ser para ela o que o Derek foi. E bem... Algo assim é o que todos queremos na vida, não é? Alguém que nos marque tanto que nunca ninguém a poderá substituir.

4. Rachel Berry & Finn Hudson, Glee
Glee foi a série da minha adolescência, por isso não há como excluir a Rachel e o Finn deste top. Tal como acho que o Derek será para sempre o amor da vida da Meredith, também acho que o Finn será para sempre o amor da vida da Rachel. Ela pode ter seguido em frente com a sua vida, mas o Finn será sempre o primeiro amor da sua vida, aquele que a fez crescer e que lhe deixou uma marca para sempre.


5. Betty Cooper & Juhgead Jones, Riverdale
Dois adolescentes apaixonados a resolver crimes juntos - seja cliché ou não, são demasiado queridos para eu saber lidar! Ahahah! Sendo ambos um pouco outsiders da hierarquia da escola, conseguem encontrar um no outro o refúgio que precisam para conseguir ultrapassar os dramas familiares e todos os mistérios que os rodeiam. 



Certamente, vendo outras séries, também vocês têm o vosso top de casais fictícios favoritos. Fico à espera que o partilhem comigo nos comentários! (Gostavam de uma edição deste top para casais de filmes?)


segunda-feira, 16 de março de 2020

16 coisas para fazer enquanto estás de quarentena

março 16, 2020 4

As próximas semanas vão ser de quarentena para a maioria da população portuguesa - uma medida de prevenção, proteção e contenção desta epidemia que atingiu o nosso país. Quarentena não são férias, é importante relembrar. Não é suposto ir passear para os centros comerciais ou para sítios públicos apinhados de gente. O suposto é ficar em casa, a protegermo-nos e a garantir que não vamos contagiar ninguém. Não é só para que nós não fiquemos doentes, é também para não pormos ninguém doente. 

Assim, um dos primeiros pensamentos que me surgiu foi: o que fazer durante este tempo que vou ficar sem aulas? No post de hoje dou-vos algumas dicas de como se entreterem e até de entreterem os mais pequenos que possam ter convosco, de modo a ninguém perder a sanidade mental, a sermos úteis e produtivos.



1. Aposto que tens uma lista de séries cujos episódios tens de pôr em dia ou então uma lista de séries que queres começar a ver. Bem, agora é uma boa altura para o fazeres. Se tens pequenos em casa, opta por uma série que todos possam ver em conjunto - assim podem passar o tempo todos juntos e esse tempo ser produtivo para todos.


2. Se és estudante universitário (e mesmo que sejas estudante de outro grau de ensino), provavelmente, tens apontamentos para passar a limpo ou matéria para pôr em dia. Esta é uma ótima altura para fazeres o tempo render e atualizares os teus apontamentos ou resumos. (Definam o que querem estudar em cada dia, quanto tempo querem dedicar a cada matéria...)


3. Qualquer que seja a nossa idade, estamos sempre a tempo de aprender coisas novas. Seja uma língua nova, seja um pouco de anatomia ou de outro qualquer tema, todos nós temos curiosidade sobre alguma coisa. Que tal utilizarmos o tempo que temos agora livre para usufruirmos daquilo que a internet tem para nos oferecer e aprendermos algo novo? E esta é uma dica que serve tanto para miúdos como graúdos - dá para pôr toda a família a aprender algo novo.

4. Se fores como eu, quando tens de estudar/trabalhar, a leitura fica sempre para quarto ou quinto plano. Por isso, estes dias em casa são uma ótima desculpa para terminar o livro que tens na mesinha de cabeceira e começar a "varrer" a  lista de livros que tens para ler.

5. Aposto também que tens uma lista de filmes para ver interminável. Sejam filmes da Disney, da Marvel / DC, os nomeados para os Oscars, as estreias da Netflix ou quaisquer outros, agora é uma excelente altura para os veres.
  • Se não te encaixas na categoria anterior, tenho a certeza de que tens filmes que gostavas de rever (como, por exemplo, Harry Potter!) ou mesmo séries que gostavas de relembrar a história. Aproveita o tempo!

6. Arrumar uma divisão da casa por dia é outra das coisas que podes fazer durante a tua quarentena. Cá por mim, dedicar um dia inteiro a limpar e arrumar a casa não é algo que me faça dar pulos de alegria. Contudo, se formos dividindo o trabalho pelos vários dias da semana torna-se menos cansativo. 
  • Começa pelo teu quarto. Limpa o pó, muda os lençóis, dá uma volta às tuas roupas e põe de lado o que já não usas, reorganiza os teus livros... Há tanto que podes fazer! E quando terminares, passa à divisão seguinte. (Tens pequenada? Um par extra de mãos é sempre uma boa ajuda, por isso chama-os à ação!)
7. Tens jogos de tabuleiro na estante arrumados há algum tempo ou jogos clássicos que jogavas em miúda? Que tal dedicares um serão por semana a ensiná-los ao resto da família? Podem todos juntar-se e passar uns momentos divertidos, longe da tecnologia que hoje em dia controla as nossas vidas. Há tantos jogos giros e didáticos que ideias não faltarão de certeza. 

8. Aproveita para fazeres uma limpeza ao teu computador e às tuas redes sociais. Tenho a certeza de que há coisas que podes eliminar e algumas pessoas mais tóxicas que podes excluir.

9. É muito importante mantermo-nos ativos, até para reforçarmos o nosso sistema imunitário. Por isso, estar em quarentena não é desculpa para não fazer exercício físico. Há imensos vídeos no Youtube e aplicações com treinos adaptados que podes fazer em casa, sem necessitares de instrumentos ou equipamentos nenhuns. 
  • Se fores adepto da meditação ou quiseres experimentar, essa também é uma excelente opção e há variados vídeos que podem ajudar-te.
10. Se fores como eu, apesar da curiosidade, nunca tenho muito tempo para me decidir a descobrir o mundo dos podcasts. Esta é uma excelente altura para o fazer. Se, por outro lado, já fores adepto, podes sempre procurar podcasts novos, sobre temas novos, e partilhá-los com a malta. (By the way, se ouvirem podcasts, deixem aí sugestões nos comentários - comecei a ouvir À Porta Fechada, da Carolina Pinto e do João André, e Terapia de Casal, do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova.)

11. Ver Ted Talks ou vídeos de um Youtuber que te chame a atenção e te desperte a curiosidade também são excelentes opções para ocupares o teu tempo. Eu falo por mim, há imensos vídeos sobre variados assuntos que me interessam e que gostava de ver, mas que normalmente não tenho tempo para o fazer. 

12. Para aqueles que não vivem sem um pouco de sol... Vai até à varanda ou jardim de tua casa e fica um pouco apenas a aproveitar o quentinho do sol enquanto ouves a tua playlist favorita ou descobres uma playlist cheia de músicas novas. Podes sempre aproveitar esse sol para ler, meditar ou fazer qualquer outra coisa que te deixe relaxada.


13. Aprende a cozinhar ou experimenta receitas novas. Dizem que cozinhar é uma excelente terapia para acalmar o stress/a ansiedade e a tua família vai, certamente, agradecer pelos petiscos.

14. Põe os posts dos teus blogues favoritos em dia. Às vezes, por mais que acompanhemos com atenção, lá nos escapa um post ou outro. Se fores um fã incondicional a que não escapa nada, podes sempre descobrir blogues novos

15. Escreve. Não precisas de o fazer para publicar num blogue ou numa rede social. Não precisa de ser sobre nada em específico. Escreve apenas, sobre o que te apetecer. Sobre o que te vai na alma, sobre as coisas pelas quais estás grata, escreve uma história... Qualquer coisa. A escrita é uma boa companheira.


16. Dança para libertar energias. Estar fechado em casa pode ser algo stressante, por isso nada melhor do que expulsar as nossas energias acumuladas, raiva ou frustrações ao som da nossa música favorita. Abana o corpo e diverte-te. Ninguém te está a ver para te julgar, por isso... Dance it out!

Um dica extra e que está subjacente a estas todas é... planeia o teu dia! Se deixares o dia ir passando sem teres definido o que queres fazer, vais acabar por passar o teu tempo a procrastinar e vais acabar o dia sem ter feito nada de produtivo!

Pronto... Estas foram algumas dicas que eu colecionei e que resolvi vir partilhar convosco. Eu própria vou tentar pô-las em prática - e vou partilhando convosco no Instagram do blogue. Admito que possa ser um pouco difícil ficar duas semanas fechados em casa, mas é para o bem de todos. Better be safe than sorry!


quinta-feira, 12 de março de 2020

Desinformação é a pior epidemia

março 12, 2020 0



O tema está na ordem do dia e seria impossível não o trazer aqui. É importante parar e refletir sobre o que está a acontecer no nosso país, particularmente. Porque além de estarmos perante um surto grave de um vírus, estamos perante uma ignorância, inconsciência e irresponsabilidade tais que o tornam ainda pior. 

Não há desculpa para tamanha desinformação e falta de civismo. Além de nos protegermos com todas as medidas que saúde partilhadas pela DGS e OMS, temos de nos informar para perceber o que está, de facto, a acontecer. A informação é meio caminho andado para a prevenção e contenção. A quantidade de informação falsa e incorreta a circular é muita, é verdade, mas cabe-nos a nós saber fazer uma triagem daquilo que lemos e dos sítios em que escolhemos ler. Dêem preferência aos sites das autoridades de saúde e dos jornais. Há imensas aplicações disponíveis na Playstore que vos dão informação (fiável) ao minuto do que acontece - sobre medidas de prevenção, sobre a situação atual do país, sobre o que fazer e, acima de tudo, sobre o que não fazer.

Não há desculpas para pessoas da nossa geração, após as suas universidades terem fechado para uma quarentena profilática (isto é, preventiva), irem apanhar banhos de sol para a praia ou para o parque da cidade ou irem sair à noite, enfiar-se em bares cheios de gente e com pouco espaço. Não há desculpa que justifique esta irresponsabilidade! Temos o dever de ser pessoas informadas e de informar aqueles que têm menos acesso à informação. E isto não se trata só de nos protegermos a nós, mas de protegermos aqueles que nos rodeiam e sobretudo as pessoas mais debilitadas e fragilizadas com que nos cruzamos, nomeadamente os nossos familiares. É o nosso dever protegermo-nos e protegermos os que nos rodeiam, para podermos parar esta(s) epidemia(s) - o covid-19 e a desinformação.

E termino este desabafo e esta chamada de atenção para a realidade com o post que o Bruno Nogueira fez no seu Instagram:

«Não pretendo dar lições de moral porque não tenho estudos para isso. Também não pretendo criticar ninguém, porque sei que a crítica mal digerida pode incendiar o efeito contrário. Pretendo única e simplesmente partilhar o que tenho feito nos últimos dias, sirva a quem servir. O desconhecido dá medo, é o escuro das crianças. No entanto, há já coisas que sei que devo fazer para evitar que os números de casos se multipliquem, e estou a fazer a minha parte. Antecipar, diria que é uma boa palavra. Antecipar, para não remendar o pior dos cenários.
A contenção não é cobardia, é trunfo.
Tenho a família resguardada em casa, saímos só para o estritamente necessário, e mantemos a calma. Há uma coisa importante no meio disto tudo: a negação do problema não o elimina, só o incendeia. Não é por me sentir saudável que sigo a vida como se nada estivesse a acontecer. Posso a qualquer momento contrair o vírus, e antes de ter sintomas espalhar a quem não tem sistema imunitário forte o suficiente para o combater. Isto não é sobre mim, é sobre uma coisa maior do que eu. É sobre nós. E é esse degrau mental que me faz ter consciência que a minha prioridade tem de ser colectiva, e não minha e do meu espelho. Não ceder ao pânico, o pânico é um vírus que mata por dentro. Faço as compras para os dias que se seguem, e não para os meses que estão por vir. Há idosos e pessoas com menos disponibilidade financeira que precisam de prateleiras de supermercado que não estejam repletas de medo. Cancelei viagens ao estrangeiro que tinha no final deste mês. Perdi dinheiro, ganhei tempo. Não acontece só aos outros. Os outros somos nós. Hoje mais do que nunca. Mantenho as crianças informadas, não multiplico o que leio na imprensa nem faço vista turva. Filtro.
Não ceder à histeria nem à indiferença, são os dois contagiosos. Acreditar que todos juntos ultrapassaremos isto. São tempos confusos, mas a luta será ganha. Não olhar para os números de infectados em Portugal e achar que são poucos e que “ainda não é tempo de agir”. É agora, está a acontecer.
Nesta história não há nós e eles, há todos. E juntos, não tenho dúvidas disso, vamos escrever o melhor final que esta história pode e merece ter.»




segunda-feira, 9 de março de 2020

Para todas nós | Dia da Mulher

março 09, 2020 0
O post vem com um dia de atraso, mas a mensagem precisa de ser passada, seja lá quando for. 

Estamos a entrar na segunda década do século XXI e muito se fala de empoderamento feminino, igualdade de género, feminismo. São assuntos que estão na ordem do dia, porque cada vez mais a mulher tem vindo a ganhar uma voz ativa e um espaço mais relevante na sociedade, começando a realmente lutar pelos seus direitos - uma batalha que começou há muitos anos atrás, mas que tem sido arduamente travada e só agora começa a ter os seus primeiros frutos (embora continuemos muito longe daquilo que seria realmente uma sociedade equitativa e justa para todos).


Mas, afinal, o que é o empoderamento feminino? É o movimento cujo objetivo é dar poder às mulheres na sociedade, em todos os aspetos das suas vidas. Rege-se por princípios como a capacidade das mulheres lutarem pelos seus próprios objetivos e definirem o seu lugar no mundo. A ONU lista sete princípios que estão na base deste conceito: liderança; igualdade de oportunidade, inclusão e não discriminação; saúde, segurança e fim de violência; educação e formação; desenvolvimento empresarial e práticas da cadeia de fornecedores; liderança comunitária e engajamento; acompanhamento, medição e resultado (se pesquisarem sobre isto, encontrarão explicações detalhadas sobre os sete princípios). 

O motivo pelo qual cada vez mais se luta por isto é para que finalmente se chegue à equidade de género e para que se pare de transmitir às gerações futuras uma imagem da mulher que em nada corresponde à realidade dos nossos dias. Hoje, a mulher já não é só a dona de casa, a mãe e a esposa. Hoje, a mulher trabalha tanto ou mais que o homem, tem tantos ou mais sonhos e objetivos que o homem e quer tanta independência e autonomia como o homem. Não quer dizer que isso a impeça de ser dona de casa e esposa e mãe; quer dizer que a mulher quer ser mais do que apenas isso. Além disto, esta luta quer pôr termo às políticas machistas que ainda existem por todo o mundo - por exemplo, o facto de as mulheres trabalharem mais horas, em média, que os homens e receberem menos do que eles (sim, ainda acontece).


A educação, a informação e o conhecimento são fundamentais para todas nós que travamos esta luta e para todos aqueles que ainda não a compreendem. É nosso dever, enquanto mulheres, explicar o motivo pelo qual estamos a lutar por uma sociedade mais justa e menos machista. É nosso dever afirmarmos a nossa posição, definirmos quem queremos ser e mostrar isso com orgulho. E, acima de tudo, é nosso dever travarmos esta luta juntas, lado a lado. Não queremos competir umas com as outras. Queremos todas conquistar os direitos que são nossos, conquistar o nosso lugar na sociedade e ter tantas oportunidades de alcançar os nossos sonhos e objetivos como os homens. 


Um dos motivos pelo qual esta luta não tem sido fácil é também por nossa causa. Porque, apesar de estarmos todas a subir a mesma montanha, algumas de nós insistem em puxar as outras para baixo para chegarem primeiro. Não é esse o objetivo desta luta. Por isso, chega de body shaming e de críticas acerca das escolhas umas das outras, das opções de vida. Somos todas diferentes e ainda bem. Se queremos que os homens nos respeitem e nos vejam como iguais, temos de lhes mostrar que estamos todas unidas pelo mesmo, mais fortes do que nunca. Por isso...


Feliz dia da Mulher para mim, para ti e para todas nós. O mundo é nosso!





segunda-feira, 2 de março de 2020

Viver Depois de Ti | Reflexão

março 02, 2020 1

Um dos primeiros livros que li em 2020 foi o Viver Depois de Ti (Me Before You), de Jojo Moyes. Eu já tinha visto o filme há uns bons anos atrás e fiquei completamente apaixonada pela história - chorei rios, mas adorei a história. Há uns tempos, surgiu-me a oportunidade de comprar o livro e decidi que, mesmo já tendo visto o filme, queria conhecer a história do livro - porque bem sabemos que, na maioria dos casos, as adaptações cinematográficas são bem diferentes dos livros. Assim, hoje venho falar-vos do livro: não é propriamente uma review, é mais uma espécie de reflexão que fiz após lê-lo. 




Quero começar por dizer que fiquei positivamente surpreendida pelo facto de a adaptação cinematográfica ser tão fiel ao livro. É claro que já não me lembro de todos os pormenores do filme, mas, daquilo que me lembro, foi bastante fiel à história original. Como é óbvio, houve cenas que foram excluídas (se não teríamos um filme gigante), mas aquelas que foram incluídas parecem-me ter sido fielmente retratadas. 

[aviso: se não conhecem a história (filme ou livro), os próximos parágrafos podem conter spoilers; leiam por vossa conta e risco]

Esta história é normalmente retratada e resumida como sendo uma história de uma jovem rapariga, Louisa Clark, que é contratada para trabalhar para casa de um homem ainda jovem que ficou tetraplégico, Will Traynor, por um período de seis meses. Apesar de não o descobrir logo ao início, a missão de Louisa é fazer Will desistir da ideia de morrer com assistência médica, na Suiça [e que tema tão atual que isto é!]. Lou, como é tratada, faz trinta por uma linha para mudar a visão daquele homem que parece ter desistido de viver e a verdade é que, com o passar do tempo, Will vai mudando, tornando-se uma pessoa mais bem disposta e com mais vontade de sair e fazer coisas novas. Contudo, a sua opinião não muda, mesmo tendo acabado apaixonado por Louisa (e ela apaixonada por ele), e acaba mesmo por decidir seguir em frente com a sua ideia.

É a isto que se costuma resumir esta história. A uma mulher jovem que se apaixona por um tetraplégico "inválido" que decide por termo à sua vida. Contudo, depois de ler o livro, eu chego a uma conclusão a que não tinha chegado depois de ver o filme - talvez porque agora tenha uma maturidade diferente ou porque tenha feito uma reflexão diferente acerca da história. 

Para mim, esta não é só uma história de amor com um final triste. Esta é uma história sobre o crescimento pessoal de uma jovem mulher que achava que estava condenada a viver na sombra da irmã mais velha e do namorado egocêntrico; que achava que não podia sonhar mais além dos limites da pequena cidade provinciana onde vivia; que achava que estava condenada a viver ali para sempre, a ser olhada de lado por ser excêntrica, a ser gozada e ridicularizada pelos próprios pais, a sustentar a sua família; que achava que não podia almejar mais do que aquilo que já tinha. 


Nesta história, não foi só Lou que levou um pouco de felicidade à (curta) vida de Will. Will também deu muito a Louisa. Deu-lhe a possibilidade de sonhar mais longe do que os limites daquela pequena cidade onde sempre viveu, de ser mais do que é, de querer mais do que tem e de não se contentar com a vida que tem. Will mostrou-lhe que não era ridícula por ser diferente e excêntrica, que não era menos que a sua irmã e que não precisava de viver na sombra dela, que merecia muito mais do que aquilo que lhe davam e que lhe faziam crer que podia ter. Foi com Will que Louisa aprendeu que é seu dever viver a vida que tem ao máximo, aproveitar tudo. Foi ele quem lhe fez ver que é seu dever esforçar-se por ter mais, não se acomodar, viver bem.


Há tantas lições importantes nesta história. Tantas coisas que podemos aprender com o Will e com a Louisa. Esta história é tanto mais que uma mera história de amor. É uma história que nos faz olhar para a nossa vida de uma forma diferente, que nos faz questionar se estamos realmente a vivê-la como devemos ou se estamos apenas a deixá-la passar por nós. Ensina-nos como é importante viver ao máximo a vida que temos, porque só temos uma e ela pode acabar num instante. 



E hoje em dia, tendo em conta os temas em debate no nosso país e as decisões políticas que estão a ser tomadas, este livro ajuda-nos a perceber que quando deixamos de ter a vida que sempre quisemos, deixamos de ter vontade de viver, simplesmente, e, às vezes, nem as pessoas que mais amamos nos podem fazer mudar de ideias. Porque todos temos direito à vida, mas também todos temos direito à dignidade e há algumas circunstâncias em que, quando perdemos a nossa dignidade, não queremos mais viver.

Se não leram este livro, aconselho-o vivamente. E espero que o leiam com uma mente aberta e não apenas com a visão de mais um romance com um fim triste - porque, realmente, eu acho que o fim não é verdadeiramente triste. 




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Receita da Amizade

fevereiro 24, 2020 4

[E porque uma tarde de conversa com um grande amigo me inspirou, hoje falamos de amizade.]



Sinto que sou uma sortuda no que toca aos meus amigos. É verdade que já me cruzei com algumas pessoas que não ficaram na minha vida - e hoje agradeço por isso, porque realmente há pessoas que aparecem para nos ensinar uma lição, mas que estão melhor longe de nós -, mas também é verdade que alguns dos meus amigos mais antigos continuam a sê-lo e continuam a ser tão próximos de mim como éramos há oito, cinco, três anos. 

Eventualmente, todos chegamos a um ponto das nossas vidas em que por mais que gostássemos de continuar a trilhar o nosso caminho lado a lado com os nossos melhores amigos isso deixa de ser possível, porque temos objetivos diferentes e pretendemos coisas diferentes das nossas vidas. Isso é o ciclo normal da vida. O que é difícil não é decidir e aceitar que os caminhos se vão separar; o difícil é perceber que isso não significa que a amizade se perca. 


Tal como qualquer outra relação, uma amizade, para que seja duradoura, requer muito investimento daqueles que estão envolvidos. Requer carinho, compreensão, paciência, esforço e vontade de manter o comboio sobre os carris. Não é apenas mandar mensagem a dar os parabéns no aniversário ou a desejar bom Natal; não é apenas sorrir quando passamos pela pessoa na rua e seguir o nosso caminho. É mandar aquela mensagem a perguntar como estão e a desculparem-se por serem péssimos amigos e não arranjarem tempo para um café; é esforçarem-se por arranjarem tempo para, finalmente, tomarem aquele café; é darem abraços apertados na hora do reencontro, sorrirem para a pessoa e saberem que está tudo bem; é passarem uma tarde inteira, depois de meses sem se verem, a conversarem sobre as vossas vidas, sobre outros amigos, sobre assuntos que pouco interessam... É saberem que, não importa quanto tempo passe, terão sempre naquela pessoa um porto de abrigo em quem se podem refugiar quando as coisas ficam difíceis e que terão sempre naquela pessoa um companheiro para celebrar convosco todas as vitórias da vida. 

Para mim, a receita da amizade é simples: reciprocidade, dedicação e amor. Porque nada no mundo se faz sem amor e porque... O que é a amizade senão uma bela forma de amor?




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Personagens que nos marcam | Alex Karev

fevereiro 17, 2020 6

Há uns anos atrás, eu era uma pessoa de filmes - isto é, via imensos filmes (e ainda vejo, mas muito menos), até que, entretanto, descobri o universo das séries. E o meu primeiro amor - o meu grande amor e a minha eterna série favorita - foi Anatomia de Grey. Mesmo antes de me tornar uma pessoa de séries, esta série já fazia parte da minha vida, porque a minha mãe via imensas séries médicas na televisão e eu acabava por ver com ela. Entretanto, um dia decidi pôr-me em frente ao computador e consumir todos os episódios desde a primeira temporada, absorvendo tudo com uma maior maturidade e muito maior intensidade. Desde então que acompanho cada temporada nova que sai, cada episódio, que choro sempre que uma personagem que adoro morre ou sai da série. É a minha série.

Recentemente, veio a público a notícia de que mais uma personagem vai abandonar a série nesta temporada e tenho de vos confessar que esta notícia me deixou tremendamente triste, porque a personagem que vai abandonar a série é, provavelmente, a minha preferida - Alex Karev, interpretada por Justin Chambers. Assim, eu decidi que esta personagem merecia uma publicação a si dedicada e por isso aqui estou eu. Este post é hoje uma homenagem ao Alex Karev e é uma forma de deixar curiosos todos aqueles que não vêem esta série (ainda).


Então, vamos até ao cerne da questão... Por que é que o Alex é a minha personagem favorita e por que é que eu acho que ele é um excelente motivo para ver a série?

Ora... Não sendo o Alex a personagem principal, ele pertence ao núcleo (já muito restrito) de atores que está na série desde o primeiro episódio da primeira temporada. Além deste feito incrível, que realça a grande importância da sua personagem (sendo ele o melhor amigo da protagonista, Meredith Grey), o Alex é, na minha modesta opinião, a personagem com a maior evolução

Há algo que eu acho que é muito importante numa série como esta - que já conta com 16 temporadas e muitos anos de história -, que é a evolução das personagens. Estando a série no ar há 15 anos, é muito importante ter em conta que as pessoas (na vida real) evoluem muito durante todo esse tempo e isso deve refletir-se nas personagens, para que a história se torne mais real. Eu acho que os autores da série têm tido isto muito em conta, mas, na minha opinião, o Alex é o caso mais óbvio e mais visível desta evolução - tendo iniciado a história como sendo uma das personagens que eu mais detestava, porque era um ser humano irritante, egocêntrico e machista, acaba (infelizmente) o seu percurso na série como a personagem que a maioria dos fãs mais adoram, um homem educado, simpático, com um coração gigante e um médico excecional. 

Fonte: Pinterest

[se ainda não viram nada da série, o próximo parágrafo contém um pouco de spoiler, por isso deixo a vocês a responsabilidade de decidirem ou não ler]

Com uma história de vida complicada e pesada, que nos vai sendo revelada aos poucos durante as primeiras temporadas, Alex é um exemplo de persistência, perseverança e força de vontade. Contra todas as expetativas, tornou-se um pediatra absolutamente incrível, adorado por todos, e até chegou a chefe de cirurgia. Depois de tantos falhanços amorosos, que contribuíram para que ele perdesse um pouco a fé no amor e voltasse a ser um mulherengo, Alex encontrou finalmente alguém que retribui todo o amor que ele tem para dar, que tem uma história de vida tão difícil como a sua e que o percebe como ninguém. Além de tudo isto, tem em Meredith uma verdadeira amiga, alguém que é como família e com quem tem uma relação incrível, porque sempre estiveram lá um para o outro e já passaram por muitos desafios juntos. 













Fonte: Pinterest














Fonte: Pinterest


É neste ponto da sua história que Alex nos abandona, ainda não sei bem como é que os autores vão fazê-lo, e eu confesso que é uma notícia que me deixa realmente triste.  Nos últimos episódios (pelo menos até àquele que vi), apesar de não aparecer fisicamente, é mencionado o seu nome. Mas acho que, eventualmente, terão de justificar a sua ausência de algum modo. Finalmente, a personagem está numa fase boa da sua vida, em que está feliz e em que pode realizar os seus sonhos - já casou, talvez pudesse vir a ter filhos em breve - e vai ser retirada da série. Não percebo muito bem o motivo, mas o ator e os produtores da série lá devem ter achado que foi a melhor decisão a ser tomada. 

Eu vou continuar a ver a série, mas confesso que vou sentir muita falta de ver o Alex no ecrã e que sei que já nada será igual. Veremos que surpresas a série nos trará entretanto!

E vocês, vêem Anatomia de Grey? Se sim, o que pensam do Alex e desta saída da série? Se não vêem, espero ter-vos convencido a ver. Gostavam que fizesse mais publicações relacionadas com Anatomia de Grey e outras séries que vejo?




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Coisas que me fazem feliz: Escutismo

fevereiro 10, 2020 1

Como vos expliquei no primeiro post deste blogue, este é um sítio onde quero partilhar convosco algumas das coisas que me fazem feliz, que me fazem parar e apreciar aquilo que de melhor o mundo tem para me oferecer. Assim, o post de hoje é inteiramente dedicado a uma coisa que me faz muito feliz: o Escutismo.


Para os que ainda não me conhecem muito bem, eu sou escuteira desde os 15 anos. Talvez não seja uma idade muito comum para entrar, visto que a maioria das pessoas inicia a sua caminhada escutista mais cedo, normalmente desde os Lobitos (6-10 anos), mas foi a idade na qual se deu o click dentro de mim e eu resolvi sair da minha zona de conforto. Nunca fui uma pessoa propriamente extrovertida ao primeiro contacto, era um pouco tímida e isso também era uma das razões que me fazia não querer ir para os escuteiros. Além disso, acampar era uma coisa que não me fascinava propriamente e eu achava que não me ia adaptar, que não ia gostar. Até que passei por uma experiência semelhante aos escuteiros, acampei pela primeira vez e decidi que estava na altura de ir, pelo menos, experimentar.

Já lá vão quase cinco anos e hoje eu sinto-me muito feliz por ter decidido sair da minha zona de conforto e entrar na aventura que é o Escutismo. Acho que não dá para explicar a quem nunca viveu, mas quando estou nos escuteiros é como se entrasse para um mundo à parte, em que deixo de pensar em tudo o resto e de me preocupar com tudo o que possa estar a acontecer na minha vida. Eu entro numa bolha em que a realidade extra-escuteiros deixa de existir. Tento ao máximo desligar-me das redes sociais e da internet e aproveitar aquilo que a experiência que estou a viver tem para me dar.

Para a maioria das pessoas, acampar é, por exemplo, sinónimo de uma noite mal dormida, de desconforto. Para mim, acampar é sinónimo de paz. Adoro dormir numa tenda, a ouvir os sons da natureza (e não só) até adormecer, acordar com o sol a iluminar a tenda ou com o barulho da chuva. É claro que às vezes dá umas dorzinhas nas costas ou nas ancas, mas o que é isso comparado com tudo o resto que podemos receber? 



Foram os escuteiros que já me proporcionaram algumas das melhores experiências que já vivi. A primeira vez que vi uma estrela cadente foi no meu primeiro acampamento. Conheci pessoas e fiz amizades que nunca teria se não fossem os escuteiros. Cantei à volta da fogueira. Dormi à beira de um rio e acordei com um nascer do sol lindíssimo. Andei de canoa. Conheci sítios lindos que não conheceria, provavelmente, de outra maneira. Desafiei-me. Diverti-me. Ri muito. Aprendi coisas sobre mim e sobre os outros. Fiz serviço a limpar praias e a plantar árvores. Já fiz tantas coisas que a maioria das pessoas da minha idade, que não são escuteiras, nunca tiveram a oportunidade de fazer e ainda tenho tanto para experimentar... 



Gosto de ser escuteira - mais do que alguma vez achei que ia gostar - e sinto que tenho realmente aprendido muito sobre mim e sobre os outros. Quero continuar a fazê-lo. Quero continuar a poder ter fins de semana em que, simplesmente, me posso desligar do mundo e conectar-me à natureza e às pessoas, sem ter um telemóvel à frente. Quero continuar a dormir numa tenda depois de um dia de atividades que me deixou exausta. Quero continuar a conhecer sítios e pessoas novas, fazer coisas que nunca antes fiz e repetir outras que já fiz. 

Como disse no início deste post, é difícil explicar o Escutismo e o que ele nos faz sentir a quem nunca o viveu. Contudo, hoje partilho um pouco daquilo que o Escutismo é para mim, porque é, sem dúvida, sendo escuteira que eu descubro as coisas melhores que o mundo tem para me oferecer!


«Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem.» (Robert Baden-Powell)



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Porquê criar um blogue?

fevereiro 03, 2020 10

Não é novidade para ninguém que hoje em dia a blogosfera está cada vez mais estagnada - arrisco-me mesmo a dizer que está a morrer aos poucos -, muito por culpa do novo fenómeno dos influencers das redes sociais como o Instagram. Cada vez menos as pessoas lêem blogues e optam por ver vídeos ou fotografias que são partilhadas nas redes sociais e que se tornam de consumo «mais rápido e fácil», na minha opinião. Independentemente do que eu acho, o facto é que a blogosfera já teve melhores dias. 

Contudo, aqui estou eu com um novo blogue - ao invés de um canal de Youtube ou de me limitar a criar conteúdo para o Instagram. Porquê? Porquê ter/criar um blogue? Por que é que eu acho que tu aí, que sempre gostaste de ter um blogue, o deves criar?



Bem, para mim, a resposta é simples e óbvia. Se gostas de escrever, não é o Youtube que te vai satisfazer ou o Instagram. Pelo menos, é o que eu sinto em relação a mim própria, sobretudo tendo em conta que nunca me senti muito à vontade em frente a uma câmara, motivo pelo qual nunca decidi explorar essa faceta. Para mim, há algo de mágico em partilharmos aquilo que escrevemos com carinho, com propósito, com uma mensagem. 

Para mim, um blogue é uma coisa muito mais trabalhada, mais pensada e mais genuína. Por exemplo, num vídeo, podemos sempre cortar as partes que não gostámos e a versão final que apresentamos do conteúdo é aquela que nos pareceu a mais indicada e, na minha opinião, a mais artificial (em alguns casos). É certo que, ao escrevermos, podemos ir apagando e reescrevendo, mas eu acho que há algo de muito mais autêntico na escrita. É literalmente transpor aquilo que vai na nossa cabeça para uma folha em branco. Claro que podemos usar mais ou menos floreados a dizer as coisas, mas acho que é muito mais difícil torná-lo numa coisa artificial.



Sim, se calhar a minha opinião é um pouco controversa e nem se quer sinto que me esteja a conseguir explicar bem, mas estes são os meus motivos para criar um blogue. Porque amo escrever, porque acho que há algo de poético em passar aquilo que está na nossa cabeça para uma folha em branco e partilhá-lo com os outros. Porque, para mim, o blogue sempre foi uma espécie de diário aberto em que consta tudo aquilo que eu mais gosto, na esperança que alguém se possa identificar.

Se gostas de escrever, se não te sentes tão à vontade em estar em frente a uma câmara, se queres transcrever em palavras tudo aquilo que vai dentro de ti... Arrisca! Cria um blogue e partilha aquilo que gostas de fazer com a blogosfera. 

Já não somos muitos, mas ainda somos suficientes para poder apreciar o trabalho uns dos outros. Por isso, vamos partilhar o nosso trabalho uns com os outros, ler mais blogues, comentar mais... Vamos manter a blogosfera viva e de boa saúde!

[Tens um blogue que gostavas de partilhar com mais gente? Deixa o link nos comentários!]

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Metas para 2020

janeiro 24, 2020 4

2020 começou há menos de um mês, por isso eu considerei que ainda vou a tempo de partilhar convosco algumas das minhas metas para este ano. 



Nunca fui uma pessoa de traçar objetivos específicos no início de cada ano a fim de os ver cumpridos, mas de há uns anos para cá apercebi-me que defini-los, escrevê-los é uma forma de os tornar mais reais e mais alcançáveis. Há algo no facto de estarem escritos e definidos que torna o compromisso maior e a vontade de os ver cumpridos também. Por isso, este ano eu fiz uma lista completa sobre imensas coisas que quero fazer/melhorar este ano em várias áreas da minha vida, com o objetivo de a cumprir toda ou a sua grande maioria.

Hoje, partilho convosco alguns dos objetivos dessa lista e aguardo conselhos desse lado para me ajudarem a realizá-los!


  • O primeiro objetivo relaciona-se com este blogue. O meu grande objetivo para o Fika é criar um espaço online do qual me orgulhe, no qual publique conteúdo que realmente me agrada e que agrada àqueles que o lêem. Ser fiel a mim mesma e poder passar-vos isso é o grande objetivo.

  • Melhorar os meus hábitos alimentares. O meu objetivo primordial não é emagrecer - esse será só um dano colateral. Aquilo que eu quero mesmo é conseguir ser mais saudável e ter uma alimentação mais equilibrada - reduzir no chocolate (que é meu grande vício), beber mais água (e reduzir os sumos e refrigerantes ao máximo), fazer alternativas para lanches e pequeno-almoços mais saudáveis.

  • Visitar mais sítios dentro e fora de Portugal; viajar com amigos e/ou família. 

  • Fazer mais exercício físico - é algo de que sinto falta mas, ao mesmo tempo, falta-me a motivação para o fazer. 

  • Fazer um curso para praticar e melhorar o meu inglês e, quem sabe, aprender uma língua nova.

  •  Ser mais produtiva. Acho que isto é algo que, muitas vezes, me falta. Ser mais proativa, procrastinar menos e fazer mais coisas, em todos os aspetos da minha vida. 

Aqui ficam, então, alguns dos meus objetivos para 2020 - aqueles mais gerais. Acham que são realizáveis? E quais são os vossos principais objetivos para este novo ano? Já concretizaram algum?


Apesar de este ter sido o primeiro post, depois da apresentação do blogue, espero que estejam a gostar deste cantinho e que continuem a acompanhar as novidades que surgirem daqui em diante. Aproveitem e, caso não o façam, sigam-me nas redes sociais (barra superior do blogue).



domingo, 19 de janeiro de 2020

Fika | Um Recomeço

janeiro 19, 2020 8

Acredito que, às vezes, andamos pela vida a correr sem saber de onde vimos nem por onde vamos. Acredito que é assim que passamos a maioria dos nossos dias. Mas também acredito que podemos mudar e temos a habilidade de parar, respirar fundo, olhar à nossa volta e absorver aquilo que de melhor o mundo tem para nos oferecer. A vida é uma coletânea de momentos e é a nossa escolha decidir quais os momentos que queremos que dela façam parte.

Assim nasceu o Fika, o meu novo blogue. Alguns de vocês já me conhecerão destas bandas, possivelmente, com outro nome - Dreamcatcher. Esse blogue foi criado quando eu era uma adolescente de 14 anos. Hoje tenho quase 20 e mudei muito. Cresci, amadureci e mesmo tendo todo o orgulho do mundo naquele blogue, em tudo o que conquistei com ele durante 5 anos, acho que está na altura de dar o pulo. De recomeçar, com uma cara lavada e novos objetivos. E por isso, decidi criar o Fika


Quando decidi fazê-lo, não tinha qualquer ideia de que nome lhe dar. Não queria que fosse uma coisa banal, queria que pudesse ter alguma significado. Foi num passeio pelo Pinterest que me dei de caras com esta palavra sueca. Foi ao ler o seu significado que eu percebi exatamente o que queria com este blogue e o que queria partilhar convosco daqui em diante. Vou partilhar convosco tudo o que há de bom na vida, algumas das coisas que nem sempre apreciamos, as coisas que eu gosto e que me fazem sorrir... Este blogue vai ser uma expressão escrita dos momentos em que quero simplesmente abrandar e absorver o que o mundo tem para me dar. 

Aqui poderão encontrar tudo aquilo que eu achar que não só merece ser partilhado como é algo com que eu me identifico, onde me revejo. Por isso, não vou prometer publicações com determinada regularidade ou periodicidade. Vou simplesmente deixar fluir e vir aqui quando o mundo me permitir abrandar, respirar e ver aquilo que ele tem para me dar. 

O Fika é o meu recomeço, a minha nova casa e este é um convite para todos vós que queiram recomeçar comigo e conhecer a minha casa. Espero que gostem da visita!


Recomeça...
Se puderes 
Sem angústia 
E sem pressa. 
E os passos que deres, 
Nesse caminho duro 
Do futuro 
Dá-os em liberdade. 
(...) - Miguel Torga