quinta-feira, 6 de maio de 2021

"O Fundamentalista Relutante" | Review

maio 06, 2021 3

Depois de ter lido a trilogia The Hunger Games numa semana, porque estava de tal modo entusiasmada que não conseguia parar, fiquei naquilo que se chama uma ressaca literária. Fiquei sem saber o que fazer à minha vida, porque depois de ler 3 livros dos quais gostei tanto e que me criaram tanto impacto, é difícil "fechar" aquela história para iniciar outra, por isso estive ali alguns dias sem ter vontade de ler e sem saber o que ler a seguir. Até que, eventualmente, decidi ir à estante da minha irmã (onde se encontram os livros que ainda não li) e pegar num qualquer, sem critério de escolha. 

O Fundamentalista Relutante, de Mohsin Hamid foi o escolhido e, depois de o ler, acho que foi uma escolha bastante acertada. Esta história passa-se num fim de tarde, num café em Lahore (Paquistão), em que o nosso narrador (paquistanês) conhece e aborda um homem americano misterioso. Changez Khan, a personagem principal e o narrador da história, oferece-lhe um chá e começa a contar-lhe uma história, a sua história. Conta-lhe sobre a sua ida para a América e os tempos em que lá viveu. Foi para lá estudar para a Universidade de Princeton, onde era dos melhores alunos, e conseguiu entrar numa empresa prestigiada em Nova Iorque, que era o sonho de todos os alunos. Conta-lhe também da sua paixão por Erica e sobre como se sentia um verdadeiro nova-iorquino, da alta sociedade. Contudo, após o 11 de setembro, a sua identidade começa a mudar, revelando dilemas interiores sobre a importância do dinheiro e do poder quando comparados à fidelidade à sua família e ao seu país. O anoitecer daquele dia acompanha o desvanecer do sonho de Changez e o surgimento de sentimentos menos positivos relativamente à América.


Esta história é quase um monólogo, se assim lhe podemos chamar. Changez é a única personagem que fala em discurso direto durante todo o livro e é através das palavras dele que vamos sabendo quais as reações do americano com quem ele conversa e que vamos conhecendo as outras personagens que se cruzaram com Changez ao longo da sua história. Só por isso, eu acho que este livro se torna logo especial. É invulgar e é um dos fatores que nos desperta, desde logo, curiosidade. Como Changez é a única personagem que, realmente, fala durante todo o livro, nós vamos percebendo como o discurso e a atitude dele mudam à medida que a história (e o dia) vai avançando, mesmo sem que ninguém nos diga isso. Vemos a sua atitude mudar de alguém que, claramente, era apaixonado pela vida na América para alguém que começa a perceber a podridão mascarada por toda aquela ostentação, levando-nos a nós próprios a refletir sobre o verdadeiro poder que a América exerce (ainda hoje) sobre o resto do mundo

O final deste livro fica em aberto. Nunca sabemos realmente quem é o americano, o que traz ele no bolso, nem o que está ele a fazer em Lahore, não sabemos realmente quais as intenções de Changez ou qual a verdadeira importância do empregado de mesa. Tudo isto é deixado à nossa imaginação e cabe-nos a nós criar ou não uma teoria relativamente a tudo isto. Para algumas pessoas, isto pode ser um fator negativo, mas eu gostei e acho que completa bem todo o mistério que envolve toda a história. Posso dizer que este livro (não muito grande) se revelou uma boa surpresa e eu gostei bastante de o ler. 


Uma história tão diferente, acerca da qual tinha zero expetativas, foi uma excelente forma de curar e ultrapassar a minha ressaca literária. Vocês já conheciam este livro?



segunda-feira, 3 de maio de 2021

Favoritos de Abril

maio 03, 2021 4

Abril foi o mês em que o país começou a desconfinar, mas, para mim, não foi um mês muito diferente dos anteriores - a única coisa que ocupou mais o meu tempo foi o estágio (que terminei no dia 23) e os meus dias eram divididos entre o tempo que passava no estágio e em casa. Resumindo, o meu mês não foi particularmente interessante (tal como os anteriores não o tinham sido), mas compilei pequenas coisas que foram especiais e importantes ao longo do mês.


  • Páscoa
O início de abril trouxe-nos a Páscoa - que, apesar de não ser a época festiva a que mais ligo, é sempre mais um momento para juntar a família. Â semelhança do ano passado, não pudemos juntar todos os "suspeitos do costume", mas juntámos aqueles que convivem mais regularmente e passámos um dia bom todos juntos - um dia de sol, boa comida, filmes, jogos e boas conversas. 

  • Projeto Especial
Abril foi também o mês em que eu integrei um projeto novo e especial que me deu imenso gozo, porque aliou uma coisa que adoro fazer a um grupo de pessoas que eu também adoro. Para já, não vos posso revelar muito, mas assim que puder partilharei tudo convosco!

  • Estágio
Já nos Favoritos de Março eu vos tinha falado do estágio, mas agora que ele já chegou ao fim, achei que tinha novamente de o incluir aqui, até para partilhar convosco a minha opinião sobre o mesmo. Foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora para mim e eu sinto que cresci mesmo muito. Aprendi imenso, evoluí e sinto que terminei o estágio com ainda mais certezas do que quero do meu futuro. Saber que podemos impactar a vida das pessoas, que podemos ajudá-las diariamente a melhorar e que elas reconhecem o nosso trabalho, é uma sensação incrível. Não existem palavras que descrevam a gratidão que eu sinto, não só aos fisioterapeutas que me receberam, me acolheram e me ensinaram tanto, mas também a todos os utentes que me deram a oportunidade de trabalhar com eles para poder aprender e a todos os restantes funcionários que me receberam e integraram tão bem. 


Durante este estágio, os fisioterapeutas da instituição em que estive a estagiar começaram a fazer um curso online, disponível no site da OMS, sobre a reabilitação em doentes COVID e eu também comecei a fazer esse pequeno curso. Não podia deixar de mencionar isso aqui, porque acho que devemos sempre querer saber mais, particularmente sobre algo tão novo e ainda tão incerto como é esta nova doença e todas as consequências a vários níveis que deixa nas pessoas. Além deste curso, fiz ainda uma pequena formação, também no meu local de estágio, sobre equipamentos de reabilitação para doentes com problemas respiratórios, uma área super interessante e muito importante (sobretudo nos tempos que vivemos).

  • Filmes
Já sabem que eu não sou pessoa de ver muitos filmes, mas, no domingo de Páscoa, deu um na televisão que eu nunca tinha visto e que gostei bastante - o Aquaman. Normalmente, nem costumo gostar muito deste tipo de filmes, mas fiquei presa ao ecrã do princípio ao fim, por isso tinha de o mencionar aqui.

  • Música
António Zambujo é um dos meus artistas portugueses favoritos e foi no mês de abril que lançou o seu novo álbum - Voz e Violão. Pessoalmente, eu adoro a voz dele e o tipo de música que ele faz, o que me torna altamente suspeita, mas adorei este álbum. O facto de termos só a voz e o um instrumento parece que torna tudo muito mais "íntimo". Gostei muito!


  • Mudança de Visual
Foi no fim de abril que procedi a uma mudança de visual e dei um valente corte ao cabelo. Já anteriormente tinha cortado o cabelo curto, mas desta vez ele estava mesmo enorme, então a diferença foi maior. Por mais que goste de ter o cabelo longo, no meu caso, chega a um determinado ponto em que começa a ser muito difícil de pentear e forma muitos nós, daí eu gostar de, de vez em quando, dar um corte a sério. Além de ser muito mais fácil de pentear, lavar e secar, o cabelo curto é muito mais leve, sobretudo agora para o tempo mais quente. E claro, sabe sempre bem mudar um pouco!


E o vosso mês de abril, como foi?



quinta-feira, 29 de abril de 2021

Celebrar a Dança | Dia Mundial da Dança

abril 29, 2021 2

Dia 29 de abril é o dia em que se comemora o Dia Mundial da Dança e, sendo este um blogue onde eu falo dos meus interesses e das coisas que me fazem feliz, não fazia sentido não assinalar este dia por aqui. Para os mais atentos e para quem me segue há mais tempo, certamente sabem que a dança sempre foi e sempre será uma parte muito importante da minha vida. Fiz parte de um grupo de dança (danças urbanas) desde os meus 8 anos até aos 19 anos e, mesmo estando parada de momento, a dança continua a ser parte integrante da minha vida e eu continuo a estar ligada, de certa forma, àquele grupo e àquelas pessoas.


Não sei como nasceu a paixão pela dança na minha vida, mas acho que simplesmente nasceu comigo. Sempre me lembro de gostar de dançar - eu era o tipo de miúda que dançava em qualquer sítio que houvesse música e isso incluía sítios como os centros comerciais, por exemplo. Adoro música e adoro dançar e isso são duas coisas que nasceram comigo e que hão de morrer comigo. Sabendo desse meu amor pela dança, os meus pais meteram-me num ginásio que havia perto da minha zona de residência e que tinha um grupo de dança. E pronto, a partir daí, fui crescendo sempre com a dança na minha vida. Inicialmente, éramos apenas um grupo de demonstração, mas depois fomos crescendo, evoluindo e começando a olhar para a dança de uma forma mais séria, até que eventualmente nos tornámos num grupo de competição. Ao longo de 11 anos, muitas pessoas entraram e saíram, mudámos várias vezes de espaço e mudámos inclusive de professora, mas uma coisa que sempre se manteve foi a união e o espírito de equipa que sempre uniu o grupo, mesmo com as mudanças que foram sucedendo. Somos uma família, mesmo que algumas de nós, neste momento, já não estejam a dançar com o grupo.


Para mim, essa é a magia da dança. Mais do que ser uma forma de arte e uma capacidade de transmitir mensagens, é uma forma de unir pessoas com uma mesma paixão, criando laços muito difíceis de quebrar. Onde quer que haja música, para mim, vai sempre haver dança, quanto mais não seja dentro da minha cabeça. Onde quer que aquelas pessoas estejam reunidas, haverá sempre dança, gargalhadas, companheirismo e amizade. Celebrarei sempre a dança, mesmo quando já não puder dançar. E sempre que celebrar a dança, celebrarei todas as pessoas maravilhosas que ela trouxe à minha vida.


E porque podemos (e devemos) celebrar a dança mesmo que não saibamos dançar, deixo-vos aqui uma lista com alguns filmes cheios de dança, cheios de pessoas com paixão pela dança e que eu adoro!

  • Step Up, Step Up 2: The Streets, Step Up 3D, Step Up Revolution e Step Up: All In
  • Honey e Honey 2
  • Work It
  • Magic Mike e Magic Mike XXL (particularmente o 2ªfilme, tem excelentes cenas de dança)
  • Centerstage: On Pointe

Existem imensos filmes de dança, sobre dança, estes são só alguns daqueles que eu me lembro porque gostei imenso. Se conhecerem outros, deixem aqui em baixo na caixa de comentários!





sexta-feira, 23 de abril de 2021

"The Hunger Games - A Revolta" | Review

abril 23, 2021 0

 As reviews dos dois livros anteriores estão disponíveis aqui e aqui.

A Revolta é o terceiro livro da trilogia escrita por Suzanne Collins, que nos leva ao culminar da rebelião cujo rosto é Katniss. A verdade é que o Quarteirão foi interrompido e tudo fazia parte de um plano maior criado por Haymich e Plutarch para salvar Katniss, juntamente com outros dos antigos vencedores que entraram na arena. Katniss, Finick e Beetee conseguiram ser resgatados e levados para o Distrito 13, mas Johanna e Peeta foram apanhados pelo Capitolio, onde estão reféns. Katniss está com a sua família e Gale no Distrito 13, a tentar recuperar dos ferimentos que sofreu na arena e a adaptar-se a uma nova realidade em que não existe Distrito 12, em que outros distritos estão em guerra contra o Capitólio e em que Peeta está a ser usado e manipulado pelo Capitólio contra ela. A revolução está a começar e Katniss aceita ser o Mimo-Gaio, assumindo a responsabilidade de tentar salvar vidas e mudar o destino de Panem. Contudo, Katniss está longe de estar preparada para as dificuldades que vai enfrentar e os sacríficos que vai ter de vivenciar.


Este livro é o culminar de todas as emoções e dá-nos a sensação de estarmos a suster a respiração do início ao fim, porque a verdade é que nós só queremos saber como é que a revolução vai terminar. Apesar de eu ter adorado quer o livro, quer o filme, tenho de admitir que é aquele em que se nota maiores discrepâncias, embora a linha geral se mantenha igual. Começo já por falar daquela que é a maior discrepância: nos livros, desde o início, que nos são apresentadas 3 personagens muito peculiares e com a sua importância, que são a equipa de preparação de Katniss - Octavia, Venia e Flavius. Contudo, nos filmes, estas 3 personagens não têm nenhuma relevância e nem se quer sabemos o que lhes acontece nesta terceira parte (terceira e quarta, no caso dos filmes). Além disso, neste terceiro livro, Effie aparece muito pouco e só quase no fim do livro e o seu aparecimento é muito diferente daquele que conhecêmos no filme, o que me deixou um pouco triste.

Uma coisa que os livros nos fazem perceber melhor que os filmes porque, como já disse em posts anteriores, são narrados pela perspetiva da Katniss, é que há uma grande importância para a Katniss da sua amizade com o Gale, sobretudo agora que Katniss está presa num sítio que não conhece, cheio de regras. Katniss apresenta uma grande desconfiança relativamente ao Distrito 13 e à Presidente Coin, o que a leva a desobedecer a muitas das suas ordens. Uma outra coisa que é um pouco diferente é o resgate do Peeta - isto porque, no filme, nós vemos, mais ou menos, como é que o resgate acontece, mas, no livro, não há muitos detalhes porque a Katniss é quem narra a história e ela não esteve presente no resgate (ainda assim, não vejo isto, de todo, como um ponto negativo para um ou para outro).


Para terminar esta review, tenho de destacar aquilo que é um dos pormenores que eu acho que tem maior importância neste livro, para a conclusão da história - nós podemos ver a forma como os Jogos e a guerra tem impacto em cada uma das personagens, vemos a sua dor, a sua mágoa, as consequências com que cada um deles tem de lidar. Todos eles vivem em sofrimento e com aquilo que chamamos perturbação de stress pós-traumático. Acho esse detalhe em particular muito interessante, porque não nos esqueçamos que os vencedores dos Jogos tinham todos menos de 18 anos quando passaram por uma experiência tão traumática como aquela e Katniss e Peeta continuam a ser dois jovens que foram submetidos a experiências altamente traumáticas, incluindo tortura, no caso do Peeta.


Para concluir, posso afirmar que, se eu já era uma grande fã da saga por causa dos filmes, fiquei ainda mais fã depois de ler os livros. Acho brilhante a escrita da Suzanne, porque nos faz realmente imaginar todos os detalhes e faz-nos suster a respiração nos momentos mais tensos. Adorei, adorei, adorei e recomendo vivamente!



quarta-feira, 21 de abril de 2021

"The Hunger Games - Em Chamas" | Review

abril 21, 2021 0

 Na segunda-feira, saiu a review do 1º livro da saga - podem ler aqui.


Bem, para começar, prometo que o post de hoje será mais curto, visto que vai conter apenas a review do segundo livro da saga - Em Chamas, de Suzanne Collins. Se nunca viram os filmes ou leram os livros, aviso já que esta review contem spoilers.

Depois de Katniss e Peeta terem vencido os Jogos da Fome, contornando as regras e, de certa forma, "manipulando" o Capitólio para que, pela primeira vez, existissem dois vencedores, ambos estão de volta ao Distrito 12, à Aldeia dos Vencedores, mas a relação dos dois (fingida durante os Jogos) está mais distante do que nunca. O Presidente Snow encarou o ato de Katniss ao decidir que, se não pudessem ganhar os dois, ambos comeriam bagas para morrer, como um ato de rebelião e de desafio contra o Capitólio, e ameaça Katniss de que tem de o convencer que aquela relação é mesmo real e de que ela está apaixonada por Peeta, de verdade. Entretanto, no Passeio da Vitória, Katniss percebe que, realmente, semeou uma semente de revolta em vários distritos e, aos poucos, percebe o impacto real da sua atitude. Então, o Presidente Snow resolve celebrar o Quarteirão de uma forma nunca antes visto: dois dos vencedores de cada distrito regressarão à arena dos Jogos da Fome e só um sobreviverá. 

Bem, à semelhança do primeiro livro, eu achei que a adaptação cinematográfica está muito fiel ao livro e adorei conseguir recriar as imagens na minha cabeça conforme ia lendo. Adoro a emoção das descrições combinada com a emoção das imagens... Acho que torna tudo ainda melhor! 


Uma coisa que o livro nos mostra melhor do que o filme, e isto porque os livros são narrados da perspetiva da Katniss, é a sua dúvida em relação aos seus verdadeiros sentimentos. Vemo-la oscilar entre o Peeta e o Gale, comparando-os, pensando num quando está com o outro, sem saber o que realmente sente, algo que, nos filmes, acaba por não ser tão percetível. 


Outra coisa que adorei no livro é podermos ver o desenvolvimento da amizade entre a Katniss e o Peeta - amizade essa que ficou arruinada depois de ele perceber que todos os sentimentos dela, durante os jogos, tinham sido fingidos. Percebemos que o Peeta tem realmente um coração de ouro e vemos que ele desperta um lado que não conheciamos tão bem da Katniss. Ele é a calma para o caos dela e, independentemente das dúvidas da Katniss, ela sabe que aquilo que tem com o Peeta é muito diferente do que tem com o Gale - mais à frente no livro, percebemos mesmo que Katniss começa a notar algo a mudar nos seus sentimentos e tudo aquilo em que ela pensa é em conseguir salvar o Peeta..


Um detalhe super importante no livro que escapou no filme é que, no livro, surgem duas personagens que mencionam a possibilidade da existência do Distrito 13 e que semeiam a dúvida na Katniss - dúvida essa que se comprovará real mais tarde. Outra coisa que também não está tão clara nos filmes, é que a Katniss, desde cedo, começa a suspeitar dos seus aliados na arena do jogo e começa a perceber que algo se está a passar, só não sabe exatamente o quê e só saberá no final do livro, final esse que eu acho brilhante, porque nos deixa em suspenso e nos leva a sentir toda aquela confusão e revolta que a própria Katniss sente.


Adorei o livro, mais uma vez, e só posso reforçar que recomendo a leitura da trilogia, porque é incrível e super entusiasmante. 


Sexta-feira teremos a review do 3º livro, "A Revolta", não percam!



segunda-feira, 19 de abril de 2021

"The Hunger Games - Os Jogos da Fome" | Review

abril 19, 2021 0

Inicialmente, o meu objetivo era condensar num post a review dos teus livros, mas como não o consegui fazer, este post contem a minha visão geral sobre a saga e a review do primeiro livro.


The Hunger Games é, provavelmente, uma das minhas sagas cinematográficas favoritas, a seguir a Harry Potter, e, contrariamente àquilo que é a minha preferência na maioria dos casos, comecei por ver os filmes e só depois despertei a minha atenção para os livros. Pensei: se os filmes são assim tão bons, os livros só podem ser ainda melhores. E não é que estava certa?!


Como já vos disse, geralmente, eu prefiro sempre ler os livros antes de ver as respetivas adaptações cinematográficas, mas com esta saga não foi assim e, de certa forma, eu não acho que isso tenha sido uma coisa má. Tendo em conta que esta história se passa num futuro distante e num mundo bastante diferente daquele que conhecemos, acho que ter as imagens do filme na cabeça, os cenários e até mesmo as personagens, dá ainda mais realismo ao livro e torna mais simples imaginar as cenas a desenrolarem-se na nossa cabeça. Já para não falar que os detalhes dos livros tornam tudo ainda mais emocionante e dão-nos uma vontade de devorar os livros, como se uma força nos impedisse de parar de ler.

Começando por uma perspetiva geral, antes de falar de cada livro em particular, a primeira observação que tenho a fazer é que, no geral, as adaptações cinematográficas são bastante fiéis aos livros. É claro que eles não podiam por todas as cenas dos livros nos filmes, é compreensível, e por isso acho que souberam fazer um apanhado geral sem excluir cenas importantes, de um modo geral. Uma outra coisa que eu gostava de apontar é que, como os livros são escritos da perspetiva da Katniss, é muito mais fácil compreendê-la e às suas atitudes nos livros do que nos filmes. Sinto que, quem vê os filmes pela primeira vez, sem ter lido os livros, pode ficar confuso com determinadas atitudes da Katniss e até mesmo sobre a forma como ela se sente, mas os livros permitem-nos, desde o início, compreendê-la muito melhor


Os Jogos da Fome, Livro 1 (Suzanne Collins)

Toda esta história acontece num futuro pós-apocalíptico e num país designado Panem, onde outrora existiu a América do Norte. Esta nação vive governada por um regime totalitário, centrado no Capitólio, e divide-se em 12 distritos. Uma revolta fracassada contra o Capitólio resultou numa total submissão dos distritos ao mesmo, pelo que, anualmente, são escolhidos dois tributos de cada distrito para participarem nos Jogos da Fome - que nada mais são que uma forma de manifestação do poder por parte do Capitólio e do Presidente Snow. Em cada edição dos Jogos, há apenas um sobrevivente, que, após vencer, vive uma vida de luxúria e riqueza. Na 74ª edição dos jogos, Katniss voluntaria-se como tributo quando a sua irmã mais nova é selecionada, juntando-se a Peeta, o tributo masculino do distrito 12. Na arena, ambos são expostos a situações extremamente difíceis, vendo-se obrigados a fazer tudo o que está ao seu alcance para sobreviverem, enquanto fingem estar perdidamente apaixonados. 


Um dos pontos mais positivos que eu encontro neste livro em relação ao filme é o facto de, no livro, percebermos muito melhor a relação entre o Peeta e a Katniss, assim como os sentimentos dela e o facto de ela estar a fingir durante todo o tempo dos Jogos. Percebemos claramente que, enquanto ela entra no jogo dos "amantes condenados", o Peeta está realmente apaixonado por ela e vemos as consequências que isso acaba por trazer, com um final do livro muito mais claro do que o do filme. 


Como já referi acima, a forma como a Katniss se sente e aquilo que pensa é muito mais fácil de entender nos livros, pois vamos conhecendo os seus sentimentos em relação ao Peeta e ao Gale, os seus dilemas interiores e as suas dúvidas. Ainda assim, é de destacar a fidelidade do filme relativamente ao livro.


Já leram esta saga? Qual a vossa opinião?

(A review do segundo livro sai em breve!)



segunda-feira, 12 de abril de 2021

Como lidar com a ansiedade em época de avaliações?

abril 12, 2021 4

A ansiedade é um termo comummente utilizado quando nos queremos referir aos sentimentos de tensão, preocupação, insegurança que podem, ocasionalmente, estar acompanhados de algumas reações fisiológicas, como sendo o aumento da frequência cardíaca, suores ou tremores. Quando esta ansiedade atinge outro nível, com outro tipo de sintomas, já falamos de uma patologia mental, um distúrbio de ansiedade que também se pode associar a outras patologias. Mas, hoje, não é disso que venho falar.


Hoje, venho falar convosco daquele tipo de ansiedade que todos nós já sentimos, aquela que se apodera de nós durante a época de avaliações, que nos deixa stressados e nervosos, que nos faz duvidar das nossas capacidades. Todos nós, certamente, já passámos por uma experiência destas, em que, por exemplo, nos sentimos tão ansiosos com um teste ou frequência ou exame que não somos capazes de comer ou de dormir em condições, ou em que nos sentimos sempre acelerados, com as mãos a tremer. É um sentimento normal, apenas é mais exacerbado nalgumas pessoas do que noutras e há algumas pessoas que sabem lidar melhor com esta ansiedade do que outras. Por isso, no post de hoje, eu vou partilhar convosco alguma das minhas dicas para lidar com a ansiedade em época de avaliações.

Disclaimer: Estas dicas são baseadas na minha experiência, naquilo que funciona comigo... Não são propriamente dicas de especialistas. É fundamental cada um de nós perceber o funciona melhor consigo próprio.


1. Fazer pausas regulares no estudo para comer, beber água e distrair-me um pouco. Estudar demasiado tempo seguido, comigo, não dá frutos, porque perco a concentração mais rapidamente e isso só vai acentuar mais a minha ansiedade, porque vou sentir que o estudo não está a render. Por isso, o que tenho feito é fazer períodos de estudo de 30-40 min e depois pausas de 5-10 min para me levantar da secretária, ir comer ou beber qualquer coisa, fazer scroll nas redes sociais, ler ou ver um pouco de televisão. Qualquer coisa que me ajude a distrair e descontrair um pouco antes de voltar ao foco. (By the way, tenho usado a app Forest para controlar o tempo de estudo e das pausas.)


2. Quando o estudo não está a correr bem e só está a contribuir para a tua ansiedade aumentar, para. Para mim, esta é uma dica de ouro. Se não está mesmo a correr nada bem, se eu estou a ficar cada vez mais frustrada e ansiosa, o melhor é parar e voltar a pegar nas coisas mais tarde ou só mesmo no dia seguinte. Eu sei que, a algumas pessoas, isto pode ter o efeito reverso e o sentimento de "culpa" por não estar a estudar causar ainda mais ansiedade, mas comigo funciona bem.

3. Se estudarem com colegas vos deixa mais ansiosos, estudem sozinhos. Antes da faculdade, eu só conseguia estudar sozinha. Depois de entrar, habituei-me a estudar em grupo porque ajuda a tirar dúvidas e o falar da matéria com colegas me ajuda a interiorizá-la, mas quando estou a começar o estudo, prefiro sempre fazê-lo sozinha, ao meu próprio ritmo.


4. Comer e dormir bem são duas dicas fundamentais, porque é muito importante que o nosso corpo esteja a funcionar bem para que o nosso cérebro também possa funcionar corretamente. Nunca descurem a alimentação ou as horas de sono por causa de um teste ou exame ou o que for. Além disso, na noite antes da avaliação, deem só uma revisão rápida e vão dormir cedo para poderem estar frescos no dia seguinte.


5. Pensem positivo. Eu sei que isto é uma frase batida e que não é tão fácil como parece, mas é mesmo muito importante que "atraiam" pensamentos positivos para vocês. Confiem no vosso trabalho, nas vossas capacidades e, acima de tudo, sintam-se em paz com aquilo que fizeram. Saibam que deram o melhor de vocês e que, por isso, as coisas só podem correr bem.

Durante a avaliação:

6. Não entrem em pânico quando esbarrarem nalguma pergunta para a qual não sabem a resposta de imediato. Comecem por responder, calmamente, àquelas que sabem e deixem as restantes para o fim. Quando lá chegarem, vão estar mais calmos e vão poder pensar com mais clareza. Por vezes, pode ajudar estruturar o raciocínio numa folha de rascunho.


7. Se começarem a sentir-se demasiado ansiosos e sem conseguirem pensar claramente, parem por uns segundos e respirem com calma. Técnicas de inspiração e expiração lentas ajudam-nos a acalmar e, quando já estiverem mais calmos, vão "resgatar" os pensamentos positivos.


Na verdade, como podem ver, são dicas muito simples e básicas, mas a verdade é que, na maioria das vezes, nos esquecemos delas. Acima de tudo, temos de ter confiança em nós e no nosso trabalho e temos de evitar a todo o custo entrar em pânico, porque isso só torna tudo mais complicado. Se precisarem de desabafar com um amigo ou de chorar um pouco, façam-no, porque, às vezes, também é preciso, mas depois reergam-se e voltem ao foco, confiando sempre nas vossas capacidades.


Espero ter ajudado alguém! Vemo-nos em breve!



segunda-feira, 5 de abril de 2021

"Pessoas Normais" | Review

abril 05, 2021 2

Pessoas Normais, de Sally Rooney, foi o quarto livro que eu li em 2021 e uma leitura muito aguardada. Depois de ter ouvido imensa gente falar deste livro e de ter sido lançada uma série, fiquei de tal modo curiosa para ler este livro e conhecer esta história que tive de comprá-lo. Fui para esta leitura com as expetativas muito muito elevadas, depois de ouvir tantos comentários positivos e de todo o hype feito à volta do livro e da série. Será que me desiludi ou que fui surpreendida?

Pessoas Normais é sobre Connel e Marianne, dois jovens que cresceram numa pequena cidade irlandesa, mas que nada mais parecem ter em comum. Na escola, Connel é visto como um rapaz popular e amigo de todos, enquanto Marianne é olhada de lado por ser "estranha" e solitária, mantendo-se à parte de todos. Connel é filho da empregada que trabalha em casa de Marianne e, num dos dias em que este vai buscar Lorraine, acaba por ter uma conversa complicada com Marianne, que acaba por ser o ponto de viragem das suas histórias. Vamos acompanhando as vidas de ambos e percebendo como se influenciam mutuamente e como, embora muitas vezes afastados, os seus caminhos acabam sempre por se cruzar.


Na minha opinião, esta é uma história sobre duas pessoas cheias de conflitos interiores, que travam inúmeras lutas consigo mesmas, e que, sendo muitas vezes tóxicas uma para a outra e até para os que os rodeiam (e que se rodeiam de pessoas igualmente tóxicas), acabam por ser muito certas uma para a outra. Para mim, a mensagem mais importante e mais poderosa desta história é que, de facto, uma pessoa pode mudar muito a nossa vida e pode influenciar-nos de formas que nem imaginávamos ser possível. Connel e Marianne são, mais do que qualquer outra coisa, grandes amigos que, mesmo com tudo o que sempre se interpôs entre eles e com todas as diferenças, sempre estiveram disponíveis um para o outro, mesmo quando estavam com outras pessoas.

Respondendo à pergunta que iniciou este post, eu posso dizer que me senti um pouco defraudada com a história. Tinha as expetativas de tal modo elevadas que não estava preparada para o tipo de história que ia encontrar. Não sei bem o que esperava, mas encontrei uma história, por vezes, "seca" e "sem emoção", mas, ao mesmo tempo, arrebatadora e forte. Não posso dizer-vos que é o meu livro favorito, mas também não o detestei - só esperava algo diferente (embora não saiba bem o quê). Gostei da história pelo facto de tocar em pontos muito importantes relativos ao amor, à amizade, à sexualidade e à intimidade, assim como relativos aos conflitos interiores de cada um que derivam da visão que têm de si mesmos e das suas histórias passadas. Acho que Sally Rooney tem um grande dom de nos fazer conhecer as personagens sem nos dar tudo sobre elas e isso é capaz de ser um dos meus pontos favoritos deste livro.


Falando agora da série...

Sendo muito sincera convosco, eu acho que gostei mais da série do que do livro - porque os silêncios fazem mais sentido, porque vemos as expressões, a linguagem corporal... Tudo aquilo que, no livro, me pareceu "seco" e "sem emoção", ganha intensidade na série, talvez porque os atores souberam representar muito bem as personagens de Connel e Marianne. A série dá mais relevo a tudo aquilo que fica subentendido no livro, faz-nos perceber melhor o quão problemática acaba por ser a falta de comunicação ou a má comunicação entre estes dois e o quanto isso prejudica a sua relação, porque é claro o quanto gostam um do outro. Além disso, uma coisa que adorei na série (mas que também gostei muito no livro), é a representação da depressão pela qual o Connel passa e da situação toda da Marianne - desde os problemas familiares, à imagem que tem dela própria, à sua veia submissa para ser "aceite"... Connel e Marianne são duas personagens altamente complexas, cheias de conflitos interiores, como já disse, e acho que a série consegue evidenciar isso ainda melhor.


Resumindo e concluindo, gostei imenso da série e estou curiosa para ver o que vão fazer na segunda temporada!



sexta-feira, 2 de abril de 2021

Favoritos de Março

abril 02, 2021 2

No post dos Favoritos de Fevereiro, disse-vos que estava com uma sensação de que o tempo estava a passar muito devagar e muito depressa, simultaneamente. Sinto que, em março, o paradigma mudou um bocadinho e eu acho que o mês voou, nem dei pelo tempo passar. Talvez por ter começado a ter novamente uma rotina e os dias mais preenchidos, não sei, mas a verdade é que o mês passou a correr. Fazendo um balanço geral, acho que março foi um bom mês, um bom começo de primavera e espero que seja o presságio de que tempos melhores aí venham para todos nós.


  • Livros
Março foi um mês de excelentes leituras, em que eu me surpreendi a mim mesma, porque não me lembrava de ler tanto, em tão pouco tempo. A verdade é que, logo na primeira semana de março, eu devorei por completo a saga The Hunger Games. Sou uma grande fã dos filmes e há muito que queria ler os livros, mas só no início de março chegou a oportunidade. Li os livros de uma assentada, de tão envolvida que fiquei na história e posso já dizer-vos que passei a gostar ainda mais. Durante este mês de abril, partilharei convosco a minha opinião sobre cada um dos três livros.

Ainda em março, li O Fundamentalista Relutante (a seu tempo, também chegará aqui ao blogue). Não conhecia o livro, nem tinha qualquer feedback, mas ele andava perdido cá por casa, por isso resolvi pegar nele e acabei por ter uma excelente surpresa.

  • Estágio
A 15 de março comecei um novo estágio (que decorrerá até ao fim do mês de abril), numa Unidade de Cuidados Continuados, e estou a gostar imenso. Adoro o sítio, o trabalho que lá se faz e fui recebida por uma excelente equipa de Fisioterapeutas, muito simpáticos e prestáveis. Até agora, o balanço que faço é extremamente positivo.


Ainda relacionado com o estágio, achei engraçado dizer-vos que, para poder começar o estágio, fiz um teste à Covid-19 e, desde o início da pandemia, este foi o primeiro teste que fiz. É verdade, nunca tinha feito nenhum teste à Covid-19 e acho que isso deve ser raro, por isso achei engraçado partilhar convosco. Confirma-se: não me custou nadinha.

  • Instagram
Tenho de referir aqui, muito em jeito de agradecimento, o Reels que fiz no dia da mulher - foi o mais visto do meu perfil e recebi um feedback incrível da vossa parte. Muito, muito obrigada! Se não viram, podem vê-lo aqui.

  • Youtube
Atualmente, eu já não vejo muitos vídeos no Youtube, embora vá vendo de vez em quando aqueles que me chamam mais a atenção ou das youtubers que mais gosto. Contudo, há dois youtubers que eu adoro e que sigo há imensos anos, o Alfie Deyes e a Zoe Sugg, e eles vão ter uma filha! Fiquei super feliz por eles, porque os acompanho (e à relação deles) há imenso tempo, então não podia deixar de colocar aqui os vídeos que ambos fizeram para o Youtube a falarem sobre isso, porque acho super querido o entusiasmo dos dois com esta nova fase.



  • Música
Não podia deixar de incluir aquela que é uma das músicas mais "queridas" que ouvi nos últimos tempos - não sei explicar, é quase como uma canção de embalar (ahahah). É a Lote B, do António Zambujo, e eu acho que é impossível não gostar desta música.


Nesta categoria, ainda, tenho de mencionar o fantástico Peixe Azul, o novo álbum do Miguel Araújo. Repleto de músicas tão singulares, como nos tem vindo a habituar, em que uma das minhas favoritas é a Serenata do Norte, mas recomendo mesmo que ouçam todo o álbum e prestem atenção às letras das músicas, que são verdadeiras histórias (como de costume).


E é este o meu lote de favoritos do mês de março. Se tivessem de eleger os vossos próprios favoritos, o que lá constaria?!





segunda-feira, 29 de março de 2021

"A Educação de Eleanor" | Review

março 29, 2021 4

Diz-se que a leitura dá-nos um sítio para ir quando temos de ficar onde estamos e acho que isso nunca foi tão verdade para mim como nos últimos tempos. Como a maioria da população portuguesa, estou em confinamento e ando a sentir-me verdadeiramente saturada, muito mais esgotada do que da primeira vez, sobretudo porque estou sem aulas, sem exames, sem estágio (bem, estava sem estágio à data em que escrevi isto) e basicamente sinto que passo os dias a olhar para as paredes e a pensar no que vou inventar para fazer a seguir. Por isso, ler tem sido a melhor forma de sair de casa sem realmente sair e tem sido uma companhia fundamental


A Educação de Eleanor, de Gail Honeyman, foi o livro que li no início de fevereiro e revelou-se uma tremenda surpresa. Confesso que comecei esta leitura com as expetativas bem em cima, pois todas as pessoas que eu já tinha ouvido falarem deste livro, tinham tecido enormes elogios, e, nas primeiras páginas, senti-me ligeiramente defraudada... Mas já lá chegaremos. 


A Educação de Eleanor conta-nos a história de Eleanor Oliphant, cuja sua vida ela acredita ser perfeitamente normal. É uma mulher de 30 anos, algo excêntrica e não muito dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira em torno de um trabalho das 9h às 17h, das suas rotinas, da vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas ao telemóvel com a mãe, todas as quartas-feiras. Na mesma altura em que acredita estar apaixonada por um cantor local, Eleanor conhece Raymond, que trabalha no departamento de informática da empresa, e ambos socorrem um senhor que se sentiu mal no meio da rua, Sammy. Esse é o grande ponto de viragem na vida de Eleanor, mesmo que a mesma só se aperceba disso mais tarde, pois uma boa amizade cria-se entre os três e isso traz, à vida solitária de Eleanor, novas pessoas e a ajuda de Raymond vai revelar-se fundamental para Eleanor enfrentar os fantasmas do seu passado.

Como vos disse, não foi logo nas primeiras páginas que me apaixonei por esta história, porque tudo me parecia um pouco estranho e confuso. Eleanor é uma daquelas pessoas de quem parece difícil gostar logo de imediato, contudo vamos percebendo que ela é uma personagem composta por muitas, muitas camadas e que aquilo que vemos à superfície esconde muitos segredos. Com o avançar da história, à medida que fomos vendo as diferentes facetas de Eleanor e que vamos conhecendo um pouco mais sobre ela, comecei a gostar mais e mais e posso dizer que acho que foi um dos melhores livros que já li. 


Eleanor Oliphant é uma personagem extremamente bem construída, na minha opinião, e é lindíssimo vermos a sua evolução pessoal, vermos como vai deixando que Raymond penetre na sua vida solitária e a ajude a sair daquele buraco cheio de fantasmas do passado onde vive. Ao mesmo tempo que nos apercebemos da vida triste e solitária de Eleanor, também nos conseguimos rir com a sua total inadaptação à sociedade e às convenções sociais, assim como com o facto de ela não se preocupar minimamente com o que os outros pensam ou dizem e não ter qualquer tipo de filtros naquilo que diz. As páginas deste livro levam-nos numa grande montanha russa de emoções e reações e isso é capaz de ser uma das coisas que mais gostei: a capacidade de nos fazer rir e chorar, de nos fazer odiar e adorar a Eleanor. 

É óbvio que Raymond Gibbons é uma personagem crucial nesta história, sem nunca tirar o relevo e a importância de Eleanor. Apesar do aspeto pouco cuidado, da "falta de maneiras" e da personalidade trapalhona e despreocupada, Raymond mostra-se ser dono de um coração enorme e é um excelente amigo para Eleanor, permitindo que esta se reencontrasse a si mesma e reconstruísse a sua vida. 

Para terminar este post, quero só realçar uma coisa que adorei neste livro: não é uma história de amor entre duas pessoas, não é sobre uma possível relação amorosa entre Eleanor e Raymond (embora esteja um pouco subjacente a ideia). É sobre o crescimento e a evolução pessoal de Eleanor, sobre as suas lutas interiores, sobre a descoberta de si mesma, do amor próprio, da sua força de vontade. Recomendo imenso!




segunda-feira, 22 de março de 2021

Home Spa + Digital Detox Day | Sugestões

março 22, 2021 2

Não é segredo para ninguém que atualmente todos vivemos a nossa vida a 1000, estamos constantemente a pensar no que fazer a seguir ou a julgarmo-nos pelo que já devia estar feito, mas continua por fazer. E a mudança na nossa rotina que o confinamento nos trouxe podia ter sido uma forma de acalmarmos este ritmo, mas isso não aconteceu. O teletrabalho só tem feito com que as pessoas alterem as suas rotinas, passem mais tempo sentadas em frente ao computador, não consigam fazer a separação entre o trabalho e a vida pessoal e lazer - pelo menos, do que eu sinto, do que tenho visto e ouvido. Por isso, na minha ótica, é cada vez mais essencial darmos valor aos momentos em que estamos só connosco próprios, sem pensar em trabalho. Precisamos de cuidar mais de nós, em todos os aspetos. 

Além de tudo isto, as redes sociais estão diariamente muito presentes na nossa vida, a todo o instante somos bombardeados com fotografias, comentários, notícias... É tudo muito rápido, instantâneo e constante e, na maioria das vezes, nós não conseguimos desligar-nos disso - outro dos fatores que faz com que deixemos de ter e cumprir horários e o trabalho passe a ocupar o nosso dia inteiro. Por isso, cada vez mais ouvimos falar em digital detox, em aprender a gerir o tempo nas redes sociais e a desligarmo-nos de vez em quando.


Por todos estes motivos, decidi trazer-vos algumas sugestões do que podem fazer num dia de Home Spa e Digital Detox, para, quem sabe, vos inspirar a tirarem mais dias para vocês, para descansarem, sem pensar em trabalho ou redes sociais. Espero que gostem!

  1. Desliga o despertador: dorme até o teu corpo se sentir completamente descansado. 
2. Evita pegar no telemóvel assim que acordas ou enquanto estás a fazer as tuas refeições.

3. Faz o teu pequeno-almoço favorito - aquele que evitas fazer em dias normais porque não tens tempo ou vontade.

4. Toma um duche um pouco mais prolongado (mas cuidado com o gasto de água!) e aproveita para fazer uma esfoliação corporal.

5. Veste uma roupa confortável, mas que te faça sentir bem contigo mesma.

6. Acende uma vela com o teu cheiro favorito.

7. Desliga a internet do telemóvel e do computador e coloca-os longe de ti.

8. Faz a tua rotina de skincare e uma máscara facial.


9. Adianta a tua leitura do momento ou começa a ler um novo livro.

10. Vai dar uma caminhada pela natureza.

11. Vê um filme com a tua família ou joguem um jogo de tabuleiro.

12. Experimenta receitas novas para as tuas refeições ou cozinha os teus pratos favoritos.

13. Cuida das mãos e dos pés: hidrata-os, pinta as unhas...

14. Faz a tua bebida favorita: um chá, um sumo...


15. Dança, faz ioga ou qualquer outro tipo de exercício que te ajude a relaxar e te faça sentir bem.

16. Pinta ou faz um desenho.

17. Ouve as tuas músicas favoritas ou música que te ajude a ficar 100% relaxada.

18. Ouve o teu corpo e faz aquilo que te faz sentir bem.

19. Não vás fazer scroll nas redes sociais até ao dia seguinte.

20. Escreve sobre como te sentiste ao fim de um dia como este, totalmente dedicado a ti e a relaxar.

Então, que acham destas sugestões? Costumam tirar, de vez em quando, um dia para vocês? E costumam fazer digital detox?



segunda-feira, 15 de março de 2021

Como ganhar hábitos de leitura? | Dicas

março 15, 2021 4

Há uma frase de Fernando Pessoa que eu gosto particularmente: A leitura é a melhor forma de ignorar a vida. Acho que é extremamente real, porque quando estamos a ler nós entramos numa bolha completamente à parte do nosso mundo, da nossa vida, para podermos viver outras vidas, as vidas dos personagens. Isso é o melhor que a leitura tem, na minha opinião: podermos viver outras vidas, viajar sem sairmos do mesmo sítio (sobretudo se tivermos em conta que, nesta fase da pandemia, estamos muito limitados nas viagens reais).

Contudo, e apesar de agora adorar ler, nem sempre tive grandes hábitos de leitura. É certo que comecei a ler novinha, mas lembro-me perfeitamente que houve um livro que andei a ler durante imenso tempo porque nunca o acabava. Até um dia em que peguei nele e simplesmente cheguei ao fim. Mas isso só aconteceu porque eu fui ganhando o hábito da leitura e eu sei que isso não acontece com toda a gente... Porque nunca tentaram. 



Tal como todos os outros hábitos, a leitura necessita de algum método para se tornar, efetivamente, num hábito. Não acontece de um dia para o outro, estalando os dedos. Não; costuma-se dizer que para se ganhar um hábito precisamos de repetir a tarefa durante 21 dias consecutivos. Por isso... Essa é a minha primeira dica - um hábito só se ganha com esforço!

A fase mais difícil é, obviamente, começar. Parece que a vontade não chega, que é um sacrifício. Por isso, comecem com um livro que tenham a certeza de que vão gostar, que já querem ler há imenso tempo, mas que têm adiado pela falta de vontade. Assim, já vão ter uma motivação extra para ler, porque têm curiosidade sobre a história. 

Depois, no início, é preciso alguma disciplina e até um pouco de obrigação, na minha opinião. Estipulem um período de tempo do vosso dia (até podem ser só 15 minutos!) para lerem um bocadinho, todos os dias. Incluam isso na vossa rotina, para se sentirem "obrigados" a ler, até que o livro comece a puxar por vocês e a agarrar-vos até durante mais tempo do que aquele que tinham estipulado.

Uma coisa que certamente vos ajudará também a ganhar o hábito - e que, a certa altura, vos dará muito jeito - é andarem com o livro "atrás de vocês". Metam-no na mala sempre que forem sair de casa e que saibam que vão ter tempos mortos, momentos de tédio em que vão querer fazer algo de útil. É aí que entra a leitura. Quando forem ao médico ou a uma repartição pública onde saibam que vão ter de esperar durante algum tempo... Saquem do vosso livro e será um tempo muito mais bem passado!




Como vêem, são dicas muito simples e fáceis de pôr em prática. Acreditem que só custa começar, por isso, se querem ler mais e, como eu, têm um objetivo grande de livros para este ano e ainda estão longe de o cumprir, incluam a leitura na vossa rotina e vão ver que vão conseguir ler muito mais. Eu tenho tentado fazer isto de há algum tempo para cá e tenho lido muito mais!

Espero que tenham gostado deste post e que vos tenha sido útil!




terça-feira, 9 de março de 2021

"A Life on Our Planet" - o documentário que todos devíamos ver

março 09, 2021 2

David Attenborough é um naturalista britânico que, ao longo dos últimos 57 anos, já representou e deu voz a inúmeros programas televisivos sobre o mundo natural, nomeadamente para o famoso canal BBC. Em 2020, com 94 anos, David decidiu dar o seu testemunho de tudo o que viu ao longo da sua vida, das evoluções e alterações que foi testemunhando e daquilo que prevê do futuro.

A Life on Our Planet (em português, Uma Vida no Nosso Planetaé o documentário que toda a gente deveria ver, na minha modesta opinião, sobretudo porque não é meramente um documentário sobre mudanças climáticas e ecologia. Este documentário é um testemunho de vida de Attenborough, do seu trajeto profissional e a sua reflexão pessoal sobre tudo o que viu e vê acontecer à sua volta, no nosso planeta. 


Resumidamente, numa primeira fase, conhecemos o percurso de David, os programas que fez, os temas que abordou em cada programa e, simultaneamente, as mudanças que foi vendo acontecer e as coisas que foi descobrindo sobre o mundo natural à medida que fazia esses mesmos programas. Isto é complementado com informações estatísticas sobre o aumento populacional, o aumento das emissões de dióxido de carbono e a diminuição percentual de mundo selvagem. Após esta primeira fase, é-nos pintado o cenário do futuro: como estará o mundo nas próximas décadas se não travarmos todas as alterações que têm vindo a acontecer por culpa da mão humana? Não quero ser spoiler, mas digo-vos já que o cenário é bastante negro e que me deixou com um nó na garganta só de imaginar. Por fim, Attenborough dá-nos a luz ao fundo do túnel. A mudança é possível e está nas mãos da Humanidade, dos governos, de todos nós e ele mostra-nos como.


Ao longo de cerca de 1 hora e 20 minutos de filme, vão-nos sendo transmitidas mensagens muito importantes, lições que devemos guardar e que devemos manter presentes. Decidi reunir algumas das mensagens que eu achei mais importantes e deixá-las aqui:


Parecem tudo ser coisas tão óbvias, não parecem? A verdade é que nos esquecemos disto, os governos esquecem-se disto... E se não procurarmos formas de aplicar todas estas lições na prática, de modo a tornarmos a nossa vida mais sustentável, de modo a preservarmos a biodiversidade e optarmos por fontes energéticas renováveis, então rapidamente a Terra como a conhecemos deixará de existir e a vida humana se vai extinguir.


Dizem-me vocês: mas não é por eu mudar pequenas coisas no meu dia-a-dia que vou salvar o planeta. Talvez tenham razão. Mas se eu fizer, se todos vocês fizerem, se passarmos a mensagem aos nossos, se se criarem mais iniciativas neste sentido, o que parecia ser uma pequena coisa transforma-se em algo muito maior, os governos vão começar a prestar mais atenção a estas coisas e a tomar medidas mais eficazes. Há projetos e acordos internacionais neste sentido, mas quanto mais falarmos, quanto mais sensibilizarmos, mais projetos surgirão e mais positivo poderá ser o impacto que temos no planeta.