"Levantado do Chão" | Review

março 21, 2025

Tenho feito, todos os anos, um acordo comigo mesma de ler um livro de José Saramago por ano, pelo menos. Foi no secundário que comecei a ler os seus livros e, desde então, tenho tentado ir conhecendo mais e mais da sua obra. O meu top 3 de favoritos está ocupado por O Ano da Morte de Ricardo Reis, Ensaio Sobre a Cegueira e Ensaio Sobre a Lucidez, mas já li também O Memorial do Convento, As Pequenas Memórias e Evangelho Segundo Jesus Cristo e gostei bastante dos três. 


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Este ano, decidi ler Levantado do Chão e, depois de alguns meses de espera na minha prateleira, decidi começar a lê-lo no final de outubro. Este é um livro sobre um país no pré 25 de abril, a viver um período de grande transformação social, de muita contestação. Ao conhecermos a história dos homens da família Mau-Tempo e a vida no latifúndio do Alentejo, vamos testemunhando as cruéis desigualdades sociais. Vão surgindo sussurros, perguntas proibidas, os homens começam a ganhar consciência e a lutar para se levantarem do chão. Conhecemos também as mulheres destes homens, que, seja ao guardarem os seus segredos ou a trabalharem incansavelmente para cuidar dos filhos, são também de grande importância e vão-na ganhando com o avançar do tempo e das gerações.


Confesso que, até ao momento, este foi o livro de Saramago que tive mais dificuldade em ler e que, por isso, demorei mais tempo até terminar. Acho que talvez não estivesse no estado de espírito e concentração certas para o entender realmente. Demorei muito tempo até perceber o rumo que a história iria tomar e senti-me muitas vezes a ler fragmentos soltos de algo, como se não houvesse uma verdadeira linha da história. É uma história diferente das anteriores que já li, talvez por não ser logo óbvio o tema tratado ou por tudo acontecer de forma muito mais lenta, e isso foi o que me fez demorar tempo a terminar este livro.



É óbvio que há muitas mensagens políticas subliminares - ou não estivéssemos nós a ler Saramago - e alguns episódios mais cómicos, no meio de muitos episódios dramáticos e até revoltantes, mas confesso que não me senti verdadeiramente cativada pela história ou pelas personagens. Este é, por isso, até ao momento, o livro de José Saramago que menos gostei - mas, se forem fãs do autor, não se deixem demover pela minha opinião, porque, como já disse, acredito que possa ser influenciada pela altura em que li o livro. Acho que, para ler e compreender a escrita de Saramago, é preciso um estado de predisposição mental e concentração que, se calhar, na altura em que o li não tinha, por andar mais cansada e com menos tempo para ler. Ainda assim, acho que, de todos os livros de Saramago que li até ao momento, é sempre possível retirar uma mensagem ou algo importante a reter, para refletir e guardar.


Seja como for, para 2025, espero descobrir mais um pouco da obra deste autor incrível, o nosso Nobel da Literatura! Se tiverem sugestões, deixem-nas nos comentários.

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