"Os Vencedores": um dos livros da minha vida | Review
Lê a minha review de Beartown aqui e de Nós Contra Os Outros aqui.
Sabem aquela pergunta horrível que todos os leitores odeiam de "qual o teu livro preferido"? Eu também nunca sei o que responder. Primeiro, porque acho que é impossível ter só um livro preferido quando há tantos livros maravilhosos neste mundo. Segundo, porque a minha resposta vai depender da pessoa que me está a perguntar e de se eu sei ou não quais os gostos dela - posso dar uma resposta diferente consoante os gostos da pessoa, falando-lhe de um livro que eu gostei e de que acho que ela possa vir a gostar também. Para mim, não existe isso de livro preferido porque é pura e simplesmente demasiado redutor.
Contudo, descobri um outro conceito que faz muito mais sentido para mim: livros da minha vida. São aqueles livros que deixam uma marca em vocês. Que ficam gravados na vossa cabeça e no vosso coração. Que vos fizeram sentir uma montanha russa de emoções, como se estivessem vocês mesmos a viver dentro daquele livro, a conhecer aquelas personagens, a viver as suas vidas. Que vos fizeram rir e chorar e sofrer e ficar felizes e, no fim, deixam aquele sentimento agridoce de que maravilha de livro misturado com não acredito que isto acabou mesmo. Nesta categoria, eu já começo a conseguir enumerar alguns livros, porque, felizmente, me tenho cruzado com alguns livros que deixaram a sua marca em mim.
A trilogia de Beartown está na categoria dos favoritos da vida, em especial este último livro. Todos eles mexeram comigo de uma forma que não sei explicar e contrariaram aquilo que acontece em algumas séries e sagas, quando os livros vão perdendo qualidade e deixando de fazer sentido à medida que avançamos. Aqui isso não acontece. Cada livro faz todo o sentido, tem um propósito que é cumprido, deixa a sua marca e consegue ser tão bom ou ainda melhor que o anterior. E também isso os torna livros da minha vida.
Os Vencedores é o final épico da trilogia de Beartown do Fredrik Backman. Neste livro, já se passaram dois anos desde os terríveis acontecimentos em que ninguém quer pensar, que ninguém quer recordar e de que ninguém quer voltar a falar. Todos tentaram seguir em frente, mas há algo em Björnstad, a Cidade do Urso, que os impede. Os seus residentes, tanto os que continuam prisioneiros da floresta como os outros, os que escaparam, debatem-se com grandes questões: o que é uma família?; o que é uma comunidade?; e o que é que estamos dispostos a sacrificar, se é que estamos dispostos a isso, para os proteger?.
Enquanto Björnstad luta para superar o passado, o futuro traz enormes mudanças. Começou com uma tempestade; após uma longa ausência, duas pessoas regressarão a casa para um funeral. Há quem se apaixone e quem tente salvar um casamento. Uma pessoa tudo fará pelo bem dos filhos. Um irá submeter-se ao ódio, outro irá lutar e alguém com uma arma caminhará em direção à pista de gelo e mudará para sempre a face da cidade. Numa localidade onde não parece haver alternativa à escuridão, o que é que os seus habitantes estão dispostos a sacrificar por um lar? Absolutamente tudo.
O que dizer sobre este livro? Escrevo-vos esta review quase um mês após ter terminado a leitura e ainda me é difícil encontrar as palavras certas. Este livro partiu-me o coração na mesma medida em que demonstrou ser o final perfeito para esta história. Estas personagens, as suas vidas e Björnstad (e Hed, vá) ficarão no meu coração para sempre, porque deixaram a sua marca em mim. A escrita do Fredrik Backman é mesmo muito bonita e nunca desilude. Consegue tocar em temas duros e importantes com a devida relevância, por vezes com humor e ironia, mas sem nunca os banalizar, com uma escrita quase poética.
Não há muito mais que possa dizer sobre este livro ou esta trilogia. Resta-me apenas uma palavra: leiam.

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