"Raparigas Como Nós" | Review

setembro 14, 2026

Depois de ter lido Ferozes, fiquei com curiosidade de conhecer mais da escrita da Helena Magalhães, particularmente num registo mais de ficção. Não que me tenha apaixonado completamente pela escrita da autora com o primeiro livro que li, mas acho que é uma escrita leve e fácil de ler, daqueles livros que nos deixam entretidos, mesmo que não nos impactem grandemente, e eu achei que era uma boa opção de leitura para as férias. E assim foi!


Porque o amor não é lutar por um qualquer troféu que está algures no futuro. O amor é o troféu.



Raparigas Como Nós foi o primeiro livro lançado pela Helena Magalhães, que se viu reeditado algum tempo depois. Este romance é uma reflexão sobre a juventude, a pressão dos pares, amores e desamores, os laços de amizade entre raparigas, festas, drogas, depressão, morte e autodescoberta. Acaba por ser um retrato de uma geração e o reflexo da ânsia de pertencer. Leva-nos numa viagem entre Lisboa, Cascais e Madrid, contada pela voz de Isabel. Numa narrativa veloz, acabamos por perceber o impacto que temos nas vidas uns dos outros, fazendo-nos pensar sobre o impacto dos primeiros amores, as memórias de infância e os intensos emaranhados das relações de amizade.


De uma forma geral, eu gostei deste livro e da história que nos conta. Foi uma leitura rápida e agradável, um daqueles livros que se lê num sopro, sem darmos por isso. Embora acabe por ser um livro "leve", não deixa de tocar em temas pesados e de nos fazer refletir um pouco sobre a forma como tocamos as vidas das pessoas com quem nos cruzamos e das marcas que as pessoas deixam em nós. 


Gostei da forma como são reforçadas as amizades femininas e como são elas a base de toda a história da Isabel: no meio de todo o caos, de todos os dramas, dos amores e desamores, são elas que estão sempre ao lado da Isabel e nunca lhe largam a mão - o que acaba por ser algo com que eu própria me consigo identificar, embora vivamos num mundo em que tantas vezes ouvimos dizer que as mulheres são as piores inimigas umas das outras (acredito que, em determinados contextos, isso possa acontecer, mas não é a minha realidade, de todo). Acho que termos boas amizades femininas é algo essencial, sobretudo quando estamos na adolescência e só precisamos de alguém que nos ouça e compreenda os nossos dramas. 



Apesar de ter gostado da história e de achar que toca em assuntos super importantes, sinto que houve qualquer coisa na escrita que não me convenceu totalmente. Senti que, por vezes, a autora perdia demasiado tempo em assuntos sem relevância e noutros as coisas aconteciam rápido demais. Pode ser só uma opinião minha, que gosto particularmente de ler coisas mais detalhadas e que aconteçam mais devagar. Acho que talvez pudesse ter gostado mais se tivesse lido este livro há uns anos - talvez conseguisse ter-me identificado ainda mais com as personagens por estar mais perto de algumas das coisas que elas estavam a viver. 


Ainda assim, fica a recomendação: um livro leve e rápido de ler, que pode dar aso a algumas reflexões importantes, ótimo para ler nesta altura do verão!

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