"Nós Contra Os Outros" | Review

junho 15, 2026

Apaixonei-me pela escrita de Fredrik Backman assim que li o primeiro livro - Um Homem Chamado Ove - e fiquei com a certeza de que queria ler tudo o que o autor escrevesse. Ele tem uma capacidade inacreditável de contar histórias aparentemente banais de forma especial, de misturar drama e humor de forma subtil, de falar sobre temas pesados de forma simples e pragmática, mas emocional ao mesmo tempo. A ironia da sua escrita mistura-se com passagens mais profundas e reflexivas e o que, num primeiro olhar, pode parecer uma escrita confusa que salta entre perspetivas e contextos, rapidamente se transforma num novelo de fios que, aos poucos, se desenrola na perfeição para que tudo faça sentido. 


Isso foi o que eu senti quando li Beartown (podem ler a minha opinião aqui), um livro de que gostei tanto e que mexeu tanto comigo que se tornou provavelmente um dos meus favoritos da vida. Soube que existiam mais dois livros desta saga já quando o estava a ler, mas confesso que fiquei um bocadinho receosa de ler o segundo livro. O primeiro foi, para mim, tão bom que eu fiquei com receio que o segundo não conseguisse estar ao mesmo nível e acabasse por prolongar demasiado a história ou por me desiludir. Contudo, eu já devia saber que o Fredrik Backman não desilude e, portanto, o segundo livro conseguiu ser tão bom quanto o primeiro!



Nós Contra Os Outros leva-nos de volta a Björnstad, uma pequena comunidade no meio da floresta, que é o lar de pessoas fortes e trabalhadoras, onde já ninguém espera que a vida seja fácil ou justa. Sempre de cabeça erguida, os seus habitantes têm orgulho na forma como enfrentam todas as adversidades com a convicção de que a verdade está do seu lado. Até que um terrível acontecimento quase faz tombar a cidade e esta é a história do que acontece depois.


Após os acontecimentos da primavera anterior, Björnstad recebe mais um duro golpe: brevemente, a sua estimada equipa de hóquei deixará de existir, perante a óbvia satisfação dos antigos jogadores, que se mudaram em força para o clube adversário de Hed. Mas os ursos de Björnstad recusam-se a cair sem dar luta. No meio da crescente atmosfera de confrontos e rivalidade, um político começa a manobrar nos bastidores e uma pessoa de fora é surpreendentemente escolhida para treinar o renovado clube de hóquei. De imediato, uma nova equipa começa a formar-se, mas conseguir que veteranos e novatos trabalhem como uma equipa parece ser um desafio hercúleo, à medida que a inimizade com Hed se torna cada vez mais violenta. Quando o último jogo do campeonato for por fim disputado, mais do que um habitante de Björnstad terá morrido e, em ambas as localidades, as pessoas serão forçadas a questionar-se se, depois de tudo, o jogo que tanto amam pode voltar a ser algo simples.


O impacto emocional deste livro foi, para mim, ainda maior do que o primeiro, porque eu já tinha ligação com as personagens, quase como se fossem velhos amigos por quem se tem um carinho especial, e isso fez com que eu sofresse imenso com elas. Chorei muito durante o livro, praticamente desde o primeiro capítulo! Mais uma vez, o autor voltou a abordar temas super pertinentes e atuais, de forma cuidadosa, mas clara, conseguindo fazer-nos refletir sobre coisas sobre as quais não pensamos, mas que sabemos fazer parte do dia-a-dia da nossa sociedade. 



As personagens que o autor constrói são tão humanas que nós sentimos que elas podem ser alguém que nós conhecemos, alguém que existe realmente, e acho que isso faz com que seja tão fácil criar ligações afetivas com elas. O Benji tem todo o meu coração e foi a personagem por quem mais sofri neste livro; o Amaat é um querido e foi muito bonito vê-lo crescer ao longo do livro; a Maya é uma absoluta lutadora e eu não consigo não sofrer com/por ela; a Anna conseguiu irritar-me profundamente, mas, ao mesmo tempo, fazer-me sentir pena dela; o Peter tanto me enerva, como me faz sentir mal pela forma como o tratam. E podia continuar a falar de todas as personagens criadas pelo autor, sobre a dualidade de sentimentos que provocam, porque nunca são puramente boas ou más: são apenas personagens bastante humanas que, por vezes, tomam decisões erradas e fazem escolhas más, muitas vezes por causa dos contextos onde vivem e dos ambientes que as rodeiam. 


Eu amei este livro e recomendo mesmo muito esta trilogia! Ainda não li o terceiro livro, mas, desta vez, vou com a certeza de que será o final perfeito para a história dos habitantes de Björnstad.

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