"O Corpo - Um Guia Para Ocupantes" | Mensagens a Reter
Sou uma curiosa pelo mundo que me rodeia, pela ciência por trás das coisas, por pessoas que, pelos seus feitos, são importantes na história do mundo ou que eu admiro e é por isso que eu gosto de ler não-ficção - porque me permite aprender mais sobre tudo isso. O livro de que venho falar hoje estava cá em casa há mais de dois anos quando, finalmente, decidi pegar nele. Sou muito de vibes no que diz respeito à leitura e há determinados livros que eu preciso de me sentir na vibe certa para o ler e foi por isso que lhe peguei no final de janeiro - tinha chegado o momento.
O Corpo - Um Guia Para Ocupantes é uma extraordinária investigação sobre o corpo humano, por Bill Bryson. Neste livro, o autor consegue tornar a ciência divertida e acessível a qualquer pessoa que tenha interesse em saber um pouco mais sobre o que se passa dentro do nosso corpo, explicando-nos como tudo funciona e como o corpo consegue a proeza de crescer, reproduzir-se e curar-se a si próprio. O livro está cheio de histórias verídicas e factos comprovados, explicados com uma linguagem acessível, simples e com um toque humorístico.
Eu já tinha lido um livro do autor - A Breve História de Quase Tudo (podem ler a minha review aqui) - e já na altura tinha adorado a forma como o autor escreve de forma leve, descontraída e com humor sobre temas sérios e complexos, tornando a ciência muito mais compreensível e acessível a todos. Com este livro, essa minha opinião foi reforçada. Mais uma vez, o autor consegue ensinar-nos sobre coisas muito complexas de forma relativamente simples, dando-nos uma noção geral sem entrar em demasiados pormenores técnicos e ainda nos contando curiosidades sobre as descobertas científicas e sobre o nosso corpo. Gosto muito dessa leveza e boa disposição, que torna o livro muito mais fácil e rápido de ler.
Acho que é um livro para todas as pessoas que tenham alguma curiosidade sobre ciência em geral e sobre o corpo humano em particular, independentemente de já terem conhecimentos prévios ou não. Não é um livro só para profissionais de saúde, mas para qualquer pessoa com interesse neste tema. Eu gostei imenso, aprendi coisas novas e acho que encontrei, inclusivamente, coisas que posso usar na minha prática clínica enquanto fisioterapeuta.
Algumas dessas coisas que eu encontrei são, acima de tudo, formas de explicar às pessoas de forma simples coisas que, por vezes, podem parecer muito complexas, mas que são, muitas vezes, fundamentais para percebermos por que determinadas acontecem, por que algumas coisas funcionam para nos ajudar a melhorar e outras não e, acima de tudo, quero poder contribuir para melhorar a literacia em saúde das pessoas com quem trabalho.
Assim, retirei do livro algumas mensagens a reter que gostava de partilhar convosco, para que pudessem também refletir sobre elas e sobre como o nosso corpo é uma máquina maravilhosa, mas extremamente complexa, e que isso é algo que devemos ter em conta todos os dias ao cuidarmos de nós.
- Cientificamente, aquilo que motiva a discriminação racial por todo o mundo é apenas a camada mais fina da pele:
(...) levantou uma pequena tira de pele com cerca de um milímetro de espessura do braço de um cadáver. Era tão fina que se tornava translúcida. “Aqui”, disse ele, “é onde se encontra toda a cor da nossa pele. A raça não passa disto - um fragmento de epiderme”. (...) “É extraordinário como se dá tanta importância a uma faceta tão mínima da nossa composição”, disse ela. “As pessoas agem como se a cor da pele determinasse o carácter, quando não é mais do que uma reação à luz do sol. Biologicamente, a raça não existe - não há nada em termos de cor de pele, de feições faciais, tipo de cabelo, estrutura óssea ou qualquer outra coisa que seja uma qualidade definidora entre povos. E, no entanto, basta ver como tantas pessoas foram escravizadas, ou odiadas, ou linchadas, ou privadas de direitos fundamentais ao longo da história por causa da cor da sua pele”.
- Temos à nossa disposição e a baixo custo, uma ferramenta que nos garante melhor qualidade de vida em todos os aspetos, menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares, cancro ou demências, mas a maioria de nós escolhe não usá-la. Uma alimentação saudável e o exercício físico são as bases simples de uma vida com mais qualidade:
Desde então, estudo após estudo mostrou que o exercício tem benefícios extraordinários. Basta uma caminhada regular para reduzir o risco de ataque cardíaco ou AVC em 31%. Uma análise de 655 000 pessoas em 2012 descobriu que estar ativo apenas 11 minutos por dia depois dos 40 anos de idade produzia 1,8 anos a mais de esperança de vida médica. Estar ativo um hora ou mais por dia melhorava a esperança de vida em 4,2 anos.
Além de reforçar os ossos, o exercício melhora o sistema imunitário, alimenta as hormonas, reduz o risco de ter diabetes e vários cancros (incluindo mama e colorretal), melhora a disposição e até protela a senilidade. Como já foi mencionado muitas vezes, não há provavelmente um único órgão ou sistema no corpo que não beneficie do exercício. Se alguém inventasse um comprimido que pudesse fazer por nós tudo o que uma quantidade moderada de exercício faz, seria instantaneamente o fármaco mais bem-sucedido da história.
(...) Quanto maior a educação da pessoa, menores as probabilidades de ter doença de Alzheimer, embora ter uma mente ativa e inquisidora - por oposição a simplesmente ter passado muitas horas numa sala de aula na juventude - seja quase certamente o que mantém a doença afastada. As demências de todo o tipo são consideravelmente raras em pessoas que têm uma alimentação saudável, fazem exercício pelo menos moderado, mantêm um peso adequado e não fumam nem bebem em excesso. Uma vida virtuosa não elimina o risco de sofrer de doença de Alzheimer, mas reduz esse risco em cerca de 60%.
- A dor é um fenómeno extraordinariamente complexo, que vai muito além de um dano ou lesão numa estrutura do corpo. É altamente mediada pelas nossas experiências prévias, crenças e conhecimentos, expetativas e estado emocional - o que explica por que motivo, tantas vezes, se prolonga além daquilo que seria expectável:
Toda a dor é privada e fortemente pessoal. É impossível criar uma definição significativa. A Associação Internacional para o Estudo da Dor resume a dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos, potenciais ou concretos, de tecidos, ou descrita em termos desses danos”, o que quer dizer que é tudo aquilo que dói, ou que pode doer, ou que parece que pode doer, literal ou metaforicamente. Isto cobre, basicamente, todas as más experiências que existem, desde ferimentos de bala ao desgosto do fim de uma relação.
(...) A depressão ou preocupação aumentam quase sempre os níveis de dor sentidos. Da mesma forma, a dor pode ser atenuada por aromas agradáveis, imagens tranquilizantes, música relaxante, boa comida e sexo. Segundo um estudo, basta ter um parceiro compreensivo e carinhoso para reduzir em metade a dor da angina. A expectativa também é extremamente importante. Numa experiência conduzida por Tracey e a sua equipa, quando os sujeitos com dor recebiam morfina sem serem informados disso, os efeitos analgésicos eram bastante diminuídos. Em muitos aspetos, sentimos a dor que esperamos sentir.
Termino deixando a recomendação deste livro a todos os curiosos que gostavam de aprender um pouco mais sobre as maravilhas do nosso corpo!
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