"Três" | Review

maio 18, 2026

Eu gosto de acreditar que há livros que nós escolhemos, mas que também há alguns livros que parecem que nos escolhem. Chegam até nós por acaso e acabam por nos arrebatar o coração. Foi isso que aconteceu com o livro de que vos falo hoje. Comecei a lê-lo porque me foi recomendado por alguém que sabe que eu adoro ler, mas eu não sabia absolutamente nada sobre ele e decidi lê-lo porque não sabia o que mais me apetecia ler, então foi uma escolha totalmente aleatória, sem saber para o que ia. Não me conquistou logo, admito, mas foi ganhando espaço no coração até me fazer soluçar enquanto lia alguns capítulos. Talvez daqui a uns anos não me lembro de todos os pormenores desta história, mas vou sempre lembrar-me do impacto que teve em mim.



Três, de Valérie Perrin, é um livro que nos leva a mergulhar nas água tumultuosas da adolescência e pelos caminhos sinuosos do crescimento e da descoberta de quem nos somos. É uma história em que a adolescência, a passagem para a vida adulta e as dores de crescimento nos mostram de que matéria é feito um dos mais profundos sentimentos da vida: a amizade. 


Adrien, Étiene e Nina têm dez anos quando se conhecem na escola, em 1986. Rapidamente, se tornam grandes amigos e criam um laço tão forte que se tornam inseparáveis, fazendo um pacto entre todos de que partirão juntos para Paris, quando forem mais velhos, e jamais se separarão. Muitos anos mais tarde, em 2017, é encontrado um carro no fundo de um lago, no lugar onde os três amigos cresceram. Virginie, uma jornalista com um passado nebuloso, faz a cobertura do caso. Pouco a pouco, vai descobrindo o que aproximou aqueles três amigos. Que pessoas são agora Adrien, Étienne e Nina? E qual a relação entre este estranho acontecimento e a amizade dos três?


Para mim, Três é um daqueles livros que primeiro se estranha e depois se entranha. Ao início, parece que não percebemos nada e que nada faz sentido - mas, ao mesmo tempo, algo me impelia a continuar a ler, porque queria que todas as peças se encaixassem na minha cabeça. Por isso, continuei a ler e ainda bem! Aos poucos, os acontecimentos começaram a encadear-se mais e mais e as coisas começaram a fazer mais sentido. Quando dei por mim, estava completamente absorvida pela história.



É um livro que toca em temas pesados e cheio de emoções fortes. Nada é preto no branco e não há personagens moralmente perfeitas. É um livro sobre amizade, sobre identidade, sobre memórias e sobre como, tantas vezes, o passado mal resolvido nos persegue e nos atormenta até que sejamos capazes de efetivamente lidar com ele. 


Nunca tinha lido nada da autora e fiquei absolutamente maravilhada! Tenho imensa curiosidade de ler mais obras dela. Recomendo imenso este livro a toda a gente!

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