Trilogia "A Criada" | Review

abril 20, 2026

Qualquer pessoa minimamente atenta às redes sociais e ao mundo dos livros ouviu falar da Freida McFadden e da trilogia A Criada no último ano. Isso fez-me sentir dividida entre uma vontade de descobrir o que de tão especial têm os livros ou não querer ler por causa de todo o hype que se estava a gerar. Contudo, com o lançamento do filme d' A Criada, eu decidi que tinha chegado a altura de ler os livros e pedi-os emprestados a uma amiga que já os tinha lido. Decidi começar a leitura sem qualquer tipo de expetativa, porque achei que, dado o hype todo no booktok e bookstagram, podia acabar desiludida - contudo, a verdade foi outra.



Em A Criada, o primeiro livro, somos apresentados a Millie e à família Winchester. Millie está desesperada por um emprego em que não lhe façam muitas perguntas sobre o seu passado e Nina procura uma empregada para ficar a viver com a família, o que acaba por ser a oportunidade perfeita para ambas. Contudo, com o passar do tempo, Millie começa a perceber que há algo de errado a passar-se naquela casa: Nina desarruma e suja propositadamente a casa para Millie limpar, conta mentiras acerca da filha e parece mudar de personalidade várias vezes ao dia. Por outro lado, Andrew, o seu marido, parece mais destroçado a cada dia, sobretudo depois de saber que Nina não pode voltar a ser mãe. O desenrolar das coisas acaba por aproximar Andy e Millie de forma perigosa e as coisas não ficam nada bem quando Nina descobre a verdade.


A verdade é que este livro me surpreendeu muito: a escrita da autora é viciante e provoca aquela ansiedade de quem sabe que algo vai correr a mal a qualquer momento, só não se sabe quando nem o quê. Não adivinhei o plot, nem estava minimamente preparada para a segunda parte do livro. Esse efeito surpresa que a autora conseguiu criar prendeu-me até ao fim e eu só queria terminar para conseguir montar todas as peças do puzzle na minha cabeça. O final conseguiu surpreender-me e deixar-me curiosa para o que o segundo livro poderia trazer.



O segundo livro, O Segredo da Criada, passa-se cinco anos depois e encontramos Millie a estudar para se tornar Assistente Social e poder ajudar, formalmente, outras pessoas. Para conseguir pagar os estudos, Millie continua a trabalhar como empregada doméstica e, depois de ser despedida do seu último trabalho, começa a trabalhar para Douglas Garrick. Tudo parece relativamente normal, até Millie perceber que a esposa de Douglas vive fechada no quarto de hóspedes, onde está proibida de entrar, e que algo de estranho se passa. Millie tenta não se intrometer e fazer apenas o trabalho para o qual foi contratada, contudo há coisas cada vez mais estranhas a acontecer e, um dia, decide bater à porta do quarto de hóspedes, acabando por conhecer finalmente Wendy Garrick e confirmar as suas suspeitas de que algo de errado se passa naquela casa.

Depois do primeiro livro me ter surpreendido tanto e me ter deixado ansiosa por perceber o que estava a acontecer, confesso que não senti o mesmo com este segundo livro. Senti que demorou imenso a chegar ao momento da ação que é efetivamente interessante, perdendo tempo com algumas cenas que eram um pouco aborrecidas e repetitivas, nomeadamente da relação da Millie com o Brock. Apesar de não me ter sentido tão entusiasmada com a história, fui surpreendida com o plot twist, porque, embora houvesse claramente alguma coisa que não batia certo, não suspeitei que fosse aquilo que estava realmente a acontecer. Acabei por gostar muito da parte final do livro, mas confesso que o início não me cativou muito e por isso acabei por dar 3.5 estrelas a este segundo livro.



O terceiro e último livro da trilogia, A Criada Está a Ver, leva-nos a mais um salto no tempo, para uma Millie casada e com filhos. Acabada de se mudar para uma nova vizinhança, aparentemente mais segura, Millie quer fazer amizade com a sua vizinha, Mrs. Lowell, mas há algo nela e na sua empregada que lhe despertam emoções estranhas, bem como a vizinha bisbilhoteira do outro lado da rua. Os acontecimentos estranhos começam a suceder-se e Millie começa a questionar se terá tomado a melhor decisão para a sua família ao mudarem-se para aquela casa.


Gostei de encontrar uma Millie mais madura neste livro, com filhos e uma perspetiva um bocadinho diferente sobre a vida, mas ainda com a sombra do seu passado a persegui-la e algumas dificuldades financeiras a perturbar a sua família. Também gostei bastante que, desde o início, a autora consiga deixar-nos "com a pulga atrás da orelha" com aqueles vizinhos, a fazer suposições e teorias que, no meu caso, se revelaram todas erradas. Apesar de, uma vez mais, ter sido surpreendida pelo real desfecho da história e por toda a verdade que vai sendo revelada aos poucos, senti que o desenvolvimento da história foi bastante lento, o que, por vezes, me fez perder o interesse por sentir que não estava a acontecer nada de novo. Acho que a história precisava de um bocadinho mais de ritmo para poder ser tão cativante como o primeiro livro, porque acho que o plot foi super interessante e houve pormenores na história de que gostei muito, mas também acho que houve coisas que poderiam ter sido desenvolvidas de forma diferente para tornar tudo mais cativante e fazer mais sentido.


De forma geral, gostei da trilogia, lê-se muito rápido e os livros acabam sempre por ser cativantes e fáceis de ler. Contudo, sinceramente, acho que poderia ter ficado pelo primeiro livro, porque foi, sem sombra de dúvidas, o melhor dos três. Não sei se planeio ler outros livros da autora, mas, quem sabe, quando me encontrar numa ressaca literária ou sem saber o que ler, talvez volte para descobrir os outros thrillers da Freida McFadden.

 


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